10 de julho de 2015

ANGKOR WAT

Nas profundezas da selva do Camboja repousam os restos de uma cidade medieval, classificada Património Mundial da Humanidade - Angkor. Angkor espraiava-se por cerca de 1000km2 e foi uma metrópole do séc. XII, capital do reino Khmer. 
No século XII cerca de 12.500 pessoas viviam neste complexo de templos, mas foram abandonados no século XV, quando o Império Khmer caiu.



ANGKOR WAT I


Depois do reencontro com a Liliana, no aeroporto de Kuala Lumpur e de passarmos parte da noite a pôr a conversa em dia, voámos de madrugada para Siem Reap. Tratámos das formalidades no aeroporto e apanhámos táxi para o centro da cidade. O taxista - Mr. Meas Sovann -, credenciado, ofereceu-nos um preço justo para nos acompanhar durante esse dia e o seguinte e nos levar aos principais locais. Assim sendo, levou-nos ao nosso hostel e combinámos uma hora para começarmos a visita. Antes disso qreíamos estabelecer-nos, tomar um duche para nos refrescarmos e tomar o pequeno-almoço. À hora combinada lá estava ele à nossa espera. 
Saímos fora de Siem Reap e entrámos na selva cambodjana. A primeira paragem foi num entreposto onde adquirimos o bilhete de 3 dias (40 USD), dirigindo-nos de imediato para o templo de Banteay Srei ou a Cidadela das Mulheres, que dista cerca de 35 quilómetros de Siem Reap. Este não é mais um dos templos do complexo de Angkor Wat, na minha opinião, é um dos mais bonitos. Vimo-lo com o brilho dos primeiros raios do sol da manhã, em tons terra, quentes, uma vez que é feito em arenito rosa. É um templo do século X dedicado a Shiva e é conhecido pelos raros e fantásticos baixo-relevos e esculturas intrincadas que apresenta. Uma delícia, não só para os amantes do Hinduísmo, mas para todos em geral. Quando terminámos a visita já era hora de almoço, pelo que o nosso taxista nos encaminhou para um restaurante à beira da estrada, junto à entrada do templo de Ta Prohm.
Banteay Srei

Banteay Srei

Banteay Srei

Banteay Srei

Banteay Srei
Banteay Srei

Complexo de Banteay Srei

Ao almoço, como não podia deixar de ser, deliciámo-nos com as iguarias locais, entre as quais, fish amouk,  arroz frito, acompanhada por uma cerveja Angkor. 

Fisk amouk - Angkor Beer
Retemperadas as forças, seguimos a pé para o templo de Ta Prohm que ficava mesmo do outro lado da estrada. Só quando chegámos dentro do complexo é que percebemos que as máquinas fotográficas e os telemóveis estavam sem bateria, pelo que "obriguei" o Tiago a ir ao carro buscar a GoPro para que saíssemos dali com algumas memórias fotográficas. Afinal de contas não é todos os dias que se vai a um local maravilhoso daqueles. Não me perdoaria sair dali sem fotografias. Ta Prohm é talvez o templo mais conhecido de todo o complexo de Angkor, pelas raízes que sustentam as pedras do edifícios, largamente difundidas no filme Tomb Raider. O templo remonta aos séculos XII e XIII e foi fundado como mosteiro budista e universidade. Durante anos foi mantido em perfeita simbiose com a Natureza, optando os arqueólogos por uma posição de negligência aparente e controlada. Actualmente optaram pelo método da reintegração, ou seja, uma espécie de reconstrução dos templos, restituindo-os à sua originalidade, sempre que haja peças e informação fiel que o permita, o que já terá levado ao corte e remoção de alguns arbustos e árvores e à colocação de passadiços e protecções. Independentemente de já não ser possível tirar as fotografias de outrora, é um local mágico e profundamente impressionante, onde se deambula perdendo a noção do tempo.


Ta Prohm
Ta Prohm

Ta Prohm

Ta Prohm
Ta Prohm
Ta Prohm - Os 3 da vida airada

Ta Prohm
Ta Prohm

Ta Prohm
Ta Prohm

A tarde já ia adiantada e o pôr-do-sol por estas bandas é relativamente cedo, pelo que deste local seguimos para o templo de Ta Keo, passando no complexo de Angkor Thom a caminho da colina de Phnom Bakheng. Pelo caminho tivemos o primeiro vislumbre do templo de Bayon, uma das imagens de marca de Angkor, famoso pelas suas 54 torres e 216 faces esculpidas (4 faces em cada torre).
O taxista deixou-nos no sopé da colina Phnom Bakheng ficando cá em baixo à nossa espera. Fizemos uma pequena caminhada até ao cimo para vermos o pôr-do-sol. Ao nosso lado caminhavam dezenas de pessoas, pois este é um dos locais, senão o local, mais recomendado para o efeito. Para os mais comodistas há sempre a hipótese de subir de elefante. Não aconselhem nem desaconselho a usar este meio de transporte pois não faço ideia da forma como tratam os animais.
Como estava muito nublado, não conseguimos ver o pôr-do-sol, de qualquer das formas a subida não foi em vão. A paisagem do cimo da colina sobre a selva é fantástica, observando-se aqui e além vestígios de um templo. Local mágico este de Angkor!!!

Ta Keo
Victory Gate
Victory Gate

Bayon - crê-se que as quatro faces em cada torre representam a cara do rei Jayarvarman VII que mandou construir este templo, Preah Khan e Angkor Thom
Phnom Bakheng
Quando já estávamos satisfeitos, descemos a colina e encontrámo-nos novamente com o nosso guia que nos conduziu ao hotel, em Siem Reap. Combinámos encontrar-nos com ele, na madrugada do dia seguinte, às 5:00, para irmos ver o nascer do sol, em frente ao nosso hotel. 
A noite estava à porta e como tal, depois de uns banhos refrescantes, fomos a pé para o night market. Bem, adoro estes mercados. Sempre cheios de cor, de ruído, de cheiros exóticos, de coisas "estranhas" aos meus olhos de ocidental... Aproveitámos as massagens ao máximo. Estávamos no paraíso das massagens... ainda por cima baratíssimas!!! Começámos com a fish massage, mas experimentámos também as de corpo inteiro e de pés. Houvessem mais sítios assim e todos os dias fazia uma!!!
Quando já estávamos cansados, regressámos ao hotel. Tentámos regressar a pé, mas como nos perdemos e como tínhamos tido um dia preenchido, estávamos demasiado cansados para nos tentarmos encontrar. Apanhámos um tuk tuk e... voilá... o hotel era mesmo duas ruas ao virar da esquina!!! :D
Night market - jantar

Night market - jantar

Night market - jantar

Night market - fish massage
ANGKOR WAT II

Tínhamos previsto ir ver o nascer do sol a Angkor Wat por volta das 5:00 da manhã, mas chovia torrencialmente e decidimos ficar a dormir até mais tarde porque estávamos exaustos. Saímos da guesthouse por volta das 9:30 e fomos directos para o templo de Bayon.
Bayon é impressionante e é um dos templos mais conhecidos do complexo de Angkor Thom. Este complexo - Angkor Thom - data dos séculos XII e XIII e foi a última capital do Império Khmer (construído 100 anos depois de Angkor Wat). É um complexo rodeado por um fosso e por um muro de 3 quilómetros, para onde se entra através de uma impressionante porta (Victory Gate). Durante as nossas deambulações pelo templo de Bayon encontrámos um menino que prontamente se ofereceu para nos guiar e tirar fotografias. Já tinha lido anteriormente que este tipo de abordagens eram comuns e que algumas das histórias que as crianças contam não são verdade, mas... A nós, disse-nos que era órfão e que andava na escola mas que tinha poucos recursos. Mesmo que não seja verdade, a realidade é que no Cambodja a maioria das pessoas é pobre e vive com poucos meios. A probabilidade de ser verdade também era grande. Claro que dar algo a quem mendiga não é "didáctico" uma vez que incentiva a perpetuação do comportamento ao invés de arranjar uma solução, mas a realidade é que a nossa consciência ficou tranquila porque o menino estava a fazer de guia pelo templo. O nosso contributo foi o pagamento pelo seu serviço. Quem sabe se daqui a uns anos não é guia no complexo?!?!
Saímos do templo e seguimos a pé passando por mais uma série de pequenos templos e pelo terraço dos elefantes, onde combinámos encontrar-nos com o guia. Entretanto começou a chover e levou-nos a almoçar a um restaurante que existia nas imediações, na expectativa que o tempo melhorasse um pouco, o que em parte veio a acontecer.

Bayon
Bayon
Bayon - o nosso guia

Bayon
Bayon
Bayon
Bayon
Terraço dos Elefantes

Deixámos para a tarde a visita ao templo que dá nome a todo o espaço - Angkor Wat - e que figura na bandeira do país. Era o templo da capital, o principal, do Império Khmer. Começou por ser um templo hindu que posteriormente foi transformado em budista. Para além de ser gigantesco - considerado por alguns como o maior espaço religioso do mundo -, é riquíssimo do ponto de vista arquitectónico e escultórico devido às suas influências hindus e budistas. É perfeitamente compreensível a perda de noção do tempo a explorar este espaço maravilhoso. Ao final da tarde regressámos ao ponto de encontro com o guia, cansados, mas felizes pelo dia fantástico e preenchido que tínhamos tido. Para mim, foi sem dúvida, a concretização de um sonho de infância. Mas o dia ainda não tinha acabado...
A caminho do hotel, passámos, com o nosso consentimento, por uma loja para turista ver (comprar) a pedido do nosso guia (por cada turista que ele levasse lá recebia umas rifas que lhe permitiam ter acesso a presentes). Comentámos com ele que queríamos ir ver um espectáculo de Dança Apsara e ele tratou de nos fazer uma reserva no restaurante Koulen II, onde jantámos e provámos variadíssimos pratos cambodjanos num interminável buffet. Enquanto isso, assistimos a uma performance de Dança Apsara - dança tradicional cambodjana que antigamente só era vista pela corte.
No final ainda houve tempo para um saltinho ao night market fazer umas compras e umas massagens, antes de irmos ao hotel buscar as mochilas e de nos encaminharmos para a "estação rodoviária" de Siem Reap, ao fundo do night market, onde apanhámos o night bus para Phnom Penh.


Angkor Wat
Angkor Wat
Angkor Wat

Angkor Wat
Angkor Wat
Angkor Wat 
Angkor Wat - Apsara dancer

Angkor Wat
Angkor Wat
Angkor Wat 

Angkor Wat 
Angkor Wat
Angkor Wat
Angkor Wat - Dançarinas de Apsara
Angkor Wat
Angkor Wat
Dançarina de Apsara
Dançarina de Apsara - A dança de Apsara é uma adoração aos deuses. Durante o regime de Pol Pot  (1975-1979) , os Khmer Rouge baniram-na por ser considerada burguesa, perseguindo, torturando e assassinando os seus bailarinos. Felizmente sobreviveu e nos últimos anos foi recuperada e valorizada devido à procura turística.

1 comentário:

  1. Adorei! Gostava que escrevesses muitas mais histórias/vivências destas!❤️

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