Santorini I
Por volta das 9:30 da manhã já estávamos em Santorini. Partilhámos um táxi com um casal norte-americano do aeroporto até à estação rodoviária. Daí seguimos a pé até ao hotel, que ficava logo uns metros abaixo. A prioridade após termos deixado as nossas coisas, foi encontrar um sítio para tomar o pequeno-almoço. Rapidamente ficámos a perceber que seria difícil fazer refeições económicas, tal como se fazia na região continental. Sítio turístico por excelência, viajante tem mesmo de abrir os cordões à bolsa. A sorte é que encontrámos uma padaria fantástica, com cafezinho... Uma maravilha. Depois de ter atacado o mau-humor provocado por um pequeno-almoço tardio (à hora a que tomei o pequeno-almoço, em Oslo já estaria a almoçar...), comecei a ficar baralhada com o mapa que tinha nas mãos. Não estava a perceber porque é que toda a gente dizia maravilhas de Santorini, muito menos onde é que estavam aquelas paisagens fantásticas que se conhecem da ilha... Mesmo em frente havia umas ilhas, mas a paisagem não era nada de extraordinário... Após uns 5 minutos a virar o mapa de um lado para o outro (atenção, isto não costuma acontecer muitas vezes, por norma sou muito orientadinha), pedi ajuda ao Tiago e percebi que estava a interpretar tudo ao contrário... as ilhas que eu estava a ver à minha frente e que me estavam a servir de orientação, não eram os restos que a erupção de acerca de 3600 anos atrás tinha deixado. Ufa!!! Que alívio! Sim, estava a sentir -me defraudada. Uma curta deambulação rua acima e... WOW!!! Agora sim!!! Santorini!!!
Descemos a escadaria entre Fira e o porto de Fira, bastante pitoresco, com os transportadores de burros, que fazem o percurso abaixo-acima, todo o santo dia. Abordaram-nos para fazermos o percurso montados no burro, mas não sentimos que fossem particularmente chatos, porque assim que declinámos a oferta, não nos incomodaram mais, ao contrário do que tínhamos lido anteriormente. No porto comprámos bilhete para irmos ao vulcão (ilha Nea Kameni, com visita guiada e passagem pelas termas), por cerca de 18€ cada um. Havia vários pacotes, mas optámos por este, porque não queríamos passar todo o dia dentro de um barco e ainda bem que o fizemos. A paisagem é fantástica, mas confesso que fiquei desapontada. Senti-me como uma autêntica turista, tratada como turista, enfiada num barco com programa de turista! Nada tenho contra este conceito. Respeito todas as pessoas que gostam destes programas. Apenas não me encaixo nele. Acho que não é natural e autêntico. Assim que o barco saiu do porto, dirigimo-nos para a ilha Nea Kameni, onde assim que saímos do barco, encontrámos dois rapazes sentados a cobrar 2 euros para visitar a ilha. A imagem era de vários barcos atracados uns aos outros, por onde as pessoas tinham de passar até chegar a terra. Depois um enorme aglomerado de pessoas a tentar comprar os ditos bilhetes. Depois dos ingressos, foi esperar, ao magote, que a guia começasse a visita pelo vulcão. Uma guia para umas cento e tal pessoas. Conclusão, quase não conseguimos ouvir o que disse, mas a sorte é que também apenas falou umas três vezes e tudo o que disse estava num folheto que nos foi entregue. Em filinha lá fomos até ao vulcão. Decidimos esperar que a multidão fosse à frente e pudéssemos aproveitar com mais calma e menos ruído o local, que por sinal é bem bonito. As ilhas de Nea Kameni e Palea, bem como a área da caldeira fazem parte da Lista de Património Mundial de Monumentos Geológicos. A última erupção do vulcão foi em 1950 e desde então permanece adormecido. Os únicos vestígios de actividade são mesmo as termas que brotam em vários pontos da costa da ilha e de gases quentes (vapor de água, dióxido de carbono e outros gases) que são libertados nas fumarolas da cratera central, no pico de Nea Kameni. Regressados ao barco, circundámos a ilha até chegar às termas. Imensos barcos atracados com dezenas e dezenas de pessoas. Os mais corajosos atiraram-se à água e nadaram até à costa. Os que ficaram no barco apinharam-se para assistir ao "espectáculo" tirando fotos e exclamando: "ah" e "oh"!!! Fiquei muito contente por chegar a terra e poder fugir daquele "programa para turista". Subimos a encosta da cratera de teleférico e naquele momento lamentei o facto de não termos optado pela experiência de subir de burro. Apanhámos algumas pessoas a criticar e a lamentar o facto de os burrinhos serem usados para aquele fim, mas a realidade é que o burro é um animal de carga e de carrego. Eles estavam muito bem tratados e em momento algum assisti a maus-tratos. Hoje em dia, em muitos locais são usados para terapêuticas - asinoterapia - e para passeios em serra e não achei que aqui fosse diferente. Até porque nestes locais, o burro é um animal autóctone.
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| Nea Kameni |
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| Nea Kameni |
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| Nea Kameni |
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| Nea Kameni - uma das fumadoras do vulcão |
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| Vista de Santorini a partir de Nea Kameni |
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| Termas |
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| Margens da ilha Nea Kameni |
O calor estava a apertar e decidimos ir ao hotel mudar de roupa. Antes de sairmos, decidimos reservar hotel para Atenas e nessa altura percebemos que o Tiago tinha perdido todos os seus documentos, excepto o passaporte. Depois de cancelar os cartões lá seguimos rumo à próxima aventura: a caminhada entre Fira e Oia. Esta era uma das nossas prioridades na visita à ilha. O tempo estava fantástico para esse efeito, nem muito calor, nem muito frio. Saímos de Fira e contornámos a cratera, passando por Firostefani e Imerovigli antes de chegarmos a Oia. A caminhada ronda os 10kms e não exige uma excelente condição física. A paisagem é absolutamente esmagadora e foi, sem dúvida, o ponto alto da nossa visita a esta ilha. Ao longo do percurso passámos pelos principais focos populacionais, com os fantásticos hotéis brancos virados para o Mar Egeu, explorando ao máximo o carácter pitoresco característico da arquitectura das Cícliades. A maioria dos hotéis não são mais do que "canavas" restauradas, antigas casas onde antigamente se fazia o vinho, ou então casas "caverna", as casas das populações locais, que eram escavadas na pedra para que a protecção dos ventos fosse mais eficaz. Já próximo de Oia, a arquitectura usava pedra escura. O terreno ao longo do percurso foi variando. Passámos por imensos vestígios materiais das erupções na ilha: cinzas, areias, pedras-pomes, lapili e piroclastos, pretos, brancos e vermelhos. A flora e fauna ia mudando também à medida que íamos avançando. Ao final do dia chegámos a Oia. Oia é uma vilinha maravilhosa... adorei tudo. Extremamente turística, como tudo em Santorini, mas com um charme único. Deambular por aquelas ruas é delicioso. Lojas com produtos e artigos lindíssimos, cuidados, com charme e carisma. Fiquei completamente deslumbrada. Ter chegado aquela hora do dia também ajudou, porque acho que deu um toque ainda mais particular. Dirigimo-nos para o extremo da vila para assistir ao pôr-do-sol. Nem queria acreditar no que estava a ver. O pôr-do-sol é fantástico, mas fiquei boquiaberta porque mais parecia que estava num qualquer espectáculo ou festival. Desde uma sessão fotográfica de um casamento ao pôr-do-sol, a gente sentada ou pendurada em qualquer metro quadrado livre. Das centenas de pessoas que estavam naquele local, muito poucas assistiram ao pôr-do-sol a olho nu. Só se ouviam clicks das máquinas fotográficas. Qual não é o meu espanto quando quase toda a gente desata a bater palmas assim que o sol desaparece no horizonte!!! Questionei-me sobre a quantidade de pôres-do-sol que estas pessoas já viram... não é algo que se faça todos os dias, eu sei, mas... cada vez mais acho que as pessoas passam demasiado tempo sem fazer coisas simples como usufruir de um nascer ou um pôr-do-sol. Surreal!!!
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| Sessão de fotografias de casamento - um dos negócios locais |
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Igreja ortodoxa
Em Santorini existem mais de 400 igrejas e capelas: as de cúpula azul são ortodoxas e as de cúpula branca católicas. |
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| Vulcão - ilha de Nea Kameni |
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| Fira aos meus pés :) |
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| Somos felizes assim |
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| Oia |
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| Os tons do Mar Egeu |
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| Oia |
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| Pôr-do-sol em Oia |
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| Pôr-do-sol em Oia |
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| Pôr-do-sol |
Voltámos a deambular por Oia e decidimos voltar a Fira no último autocarro do dia. Dezenas de pessoas à espera do autocarro e quando ele chega, a multidão que estava organizada, amontoa-se e entra ao magote. O cobrador de bilhetes não conseguiu entrar no meio da confusão e o motorista lá arrancou. Escusado será dizer que ninguém pagou bilhete. Os que ficaram em terra, como nós, aguardámos por outro autocarro, que o cobrador, prometeu haveria de chegar. Assim foi. Passados uns minutos, já dentro do segundo autocarro, seguimos até Fira. Depois de procurarmos um local porreiro para jantar, descobrimos uma taverna: o restaurante Tricana. Gostámos tanto da comida e do atendimento, que no dia seguinte estávamos lá batidos.
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