Aproveitámos o fim-de-semana prolongado do Dia Internacional do Trabalhador para mais uma aventura: chegar à Trolltunga, que em norueguês significa "a língua do Troll". Saímos de Sandvika na sexta-feira de manhã e aproveitámos o dia para fazer o percurso até Røldal, parando por vários locais. Passámos na região de Telemark. Na zona mais alta ainda conseguimos apanhar enormes paredes de neve, nas laterais da estrada. A vontade de parar era enorme, porque as paisagens eram absolutamente fantásticas. Detivemo-nos em alguns locais para aproveitar as vistas pelas paisagens brancas e geladas, onde alguns locais praticavam kitesnow.
Fizemos um troço da Estrada Nacional que passa pelo Parque Nacional de Hardangervidda, cruzando montanhas intercaladas por profundos vales, naquele que é considerado o maior planalto do Norte da Europa. Este parque estende-se entre Eidfjord e Haugastøl. Parámos na cascata de Vøringsfossen, cuja queda de água atinge os 145 metros de altura. Apesar de estarmos em Maio fomos brindados com uma neve miudinha que deu um cariz especial àquele momento passado numa paisagem tão impressionante.
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| As fantásticas paredes de neve em Telemark |
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| Os tugas da aventura em Telemark |
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| Vøringsfossen, na comuna de Eidfjorde, Hordaland |
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| Vøringsfossen - Imagem vulgar por estas paragens |
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| Continuo a achar um piadão às rotundas dentro dos túneis |
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| Parque Nacional de Hardengarvidda |
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| Parque Nacional de Hardengarvidda |
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| Parque Nacional de Hardengarvidda |
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| Parque Nacional de Hardengarvidda |
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| Fiorde de Hardanger |
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| Fiorde de Hardanger |
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| Låtefosse, as cascatas gémeas - Parque Nacional de Hardengarvidda |
O interior da Noruega tem paisagens absolutamente fantásticas e é aí que reside a essência do país. As estradas serpenteiam as montanhas e caminham lado a lado com os fiordes. O vale de Hardanger é fantástico, com as casinhas coloridas e a vegetação dos pomares a despontar. Dava vontade de parar a cada curva, mas tínhamos um destino à nossa espera. Ao final da tarde chegámos a
Røldal Camping, onde tínhamos uma hytta à nossa espera para descansarmos. O desafio do dia seguinte assim o exigia.
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| A nossa hytta |
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| Um cafezinho faz milagres... |
O sábado começou cedinho. Pequeno-almoço tomado, pusemo-nos a caminho de Odda e depois do ponto de partida para a caminhada até à Trolltunga. O dia estava maravilhoso. Até agora foi o melhor dia de montanha que apanhei na Noruega. Não estava frio, nem ventoso. O sol raiava, o que proporcionou excelentes condições para a empreitada que tínhamos em mãos. A caminhada foi dura, pela duração, distância, mas acima de tudo, pelas condições do terreno. Estava imensa neve e fizemos cerca de 28 kms em neve, em alguns casos, balofa, porque o trilho não tinha sido pisado por muitos caminheiros. Independentemente disso, foi absolutamente brutal. O branco das paisagens, o silêncio é avassalador. Para mim as montanhas são o local onde se consegue o contacto com a alma. O silêncio é sepulcral onde, só o vento, domina. Aqui, ouvi pela primeira vez o som de uma avalanche. Impressionante.
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| Trolltunga |
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| Trolltunga |
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| Trolltunga |
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| Trolltunga |
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| Trolltunga |
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| Trolltunga |
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| Trolltunga |
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| Trolltunga |
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| Descanso dos guerreiros |
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| Descanso dos guerreiros |
No final do dia o cansaço era mais que muito, mas valeu todo o esforço. No parque de estacionamento, onde tínhamos deixado os carros, encontrámos um russo e um sueco que nos pediram boleia até Odda. Pelo caminho soubemos que aqueles rapazes tinham feito uma viagem de comboio na noite anterior para Odda e que nessa manhã caminharam daí até ao ponto de partida da caminhada, fazendo-a na totalidade. Depois de os termos deixado, ainda iam tentar apanhar o autocarro de volta até Oslo. Quilómetros e quilómetros nos pés. Tudo para chegar a um local. O primeiro pensamento é achar que são completamente doidos. Mas no fundo, não foi isso mesmo que eu e os meus amigos fizemos?!?! Ok, talvez com menos quilómetros, mas...
De lição, fica apenas este pensamento: quando realmente queremos fazer uma coisa, se colocarmos todo o nosso querer, empenho e energias, muito provavelmente atingiremos o nosso objectivo.
Já dizia Kerouac:
"(..) para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações (...)".
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| Røldal stavkirke |
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| Røldal stavkirke |
O regresso fez-se por Rjukan, onde visitámos Vemork, a central hidroeléctrica, que sofreu sabotagens norueguesas durante a II Guerra Mundial, tentando evitar que os alemães construíssem uma bomba atómica. Antes disso cruzámo-nos com o Gaustatoppen, ficando a vontade de o subir assim que for possível. Quem sabe no Outono...
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| Gaustatoppen |
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