Meteora I
Quando decidimos viajar até à Grécia, Meteora fazia parte do roteiro como ponto assente desde o início. Património Mundial da Humanidade desde 1988, Meteora significa "suspenso no ar". O nome faz jus a este local, um dos mais visitados em toda a Grécia. Num espaço relativamente pequeno emergem cerca de duas dezenas de maciços de pedra que os geólogos pensam ser resultado da elevação de materiais do leito de um rio por movimentos tectónicos fortes. No topo desses maciços de pedra, encontram-se mosteiros ortodoxos, cujos fundações primitivas remontam ao século X. Os primeiros eremitas chegaram a este local em busca de isolamento espiritual, mais tarde as comunidades monásticas instalaram-se e entre os séculos XIV a XVI, este local atingiu o seu apogeu, pensa-se com 24 mosteiros. Hoje em dia apenas seis estão abertos ao públicos e dois deles com monjas a viver nas instalações. Durante o período bizantino este espaço foi extremamente importante para a Igreja Ortodoxa, onde se produziram algumas das melhores peças de arte religiosa. Além disso destaca-se pela coleção de manuscritos que possuí. Fiquei fascinada quando vi que o mais antigo era do século IX, porque não me recordo de ter visto um tão antigo.
Antigamente o acesso aos mosteiros era feito por cordas ou escadas de madeira. Reza a lenda que quando questionado acerca da substituição das cordas, um monge respondeu: "A corda é substituída quando Deus, Nosso Senhor, nos dá a graça de ela se partir". Actualmente os turistas têm mais sorte, pois o acesso é feito através de escadas que foram construídas no século XX.
Dormimos em Kalambaka e assim que terminámos o pequeno-almoço no hotel, pegámos no carro e começámos a dirigir-nos para Kastraki, sem saber muito bem por onde começar. Assim que vimos o primeiro mosteiro ao lado da estrada - Ágios Nikolaos Anapafsas - parqueámos e decidimos começar por ali.
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| Ágios Nikolaos Anapafsas |
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| Ágios Nikolaos Anapafsas |
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| Ágios Nikolaos Anapafsas |
Depois da visita e do primeiro deslumbramento com a paisagem que tínhamos à nossa frente, voltámos ao carro e serpenteámos encosta acima pela estrada, dirigindo-nos para o Mosteiro da Transfiguração (Megalo Meteoro ou Grande Meteoro).
A entrada nos mosteiros é paga (3€ em cada mosteiro/Abril 2015) e as senhoras são convidadas a utilizar um avental em todos eles. Visitar o Mégalo Meteoro é incontornável, pois é sem dúvida o maior e mais bem recheado mosteiro. Está em bom estado de conservação e os painéis informativos são um excelente auxiliar para o visitante. Lá dentro podemos percorrer os vários compartimentos, desde a igreja, ao refeitório, do scriptorium à adega... Aqui podemos ver também uma exposição sobre o local ao longo dos séculos, da arte sacra à indumentária utilizada na II Guerra Mundial. Um local de passagem obrigatória para quem vai visitar Meteora.
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| Mégalo Meteoro |
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| Mégalo Meteoro |
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| Mégalo Meteoro |
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| Frescos do Mosteiro Mégalo Meteoro |
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| Fresco da Igreja de Mágalo Meteoro |
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| Mégalo Meteoro |
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| Mégalo Meteoro |
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| Scriptorium de Mégalo Meteoro |
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| Scriptorium de Mégalo Meteoro |
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| Do Grande Meteoro com o Mosteiro de Varlaam nas costas |
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| Megalo Meteoro |
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| Mosaico bizantino - Mégalo Meteoro |
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| Mosteiro de Roussanou |
Do Mégalo Meteoro, seguimos para o Varlaam e depois decidimos fazer uma pausa para retemperar as forças. Descemos até à aldeia de Kastraki e almoçámos na Taverna Ziogas: beringela grelhada, costeleta de porco grelhada, costeleta de borrego. Nham nham...
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| Rede elevatória utilizada para transportar bens e pessoas para o mosteiro - Mosteiro de Varlaam |
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| Adega - Mosteiro de Varlaam |
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| Mosteiro de Varlaam |
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| Primavera em Meteora |
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| Mégalo Meteoro |
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| Mosteiro de Roussanou |
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| Mosteiro de Roussanou |
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| Meteora |
Super satisfeitos com a comida, era hora de nos pormos a caminho do próximo mosteiro. Voltámos a subir a estrada, mas desta vez voltámos para a direita, na bifurcação. No caminho até chegar a Agios Trias há vários spots fantásticos para parar, apreciar a paisagem e fazer fotografia. Este mosteiro foi o que foi utilizado para fazer a filmagem, em 1981, do filme 007 - For your eyes only. Da base do maciço rochoso deste mosteiro, há um trilho que permite fazer pequenos trekkings, um na direcção de Kalambaka, o outro na direcção do Mégalo Meteoro. Neste mosteiro cruzámo-nos com um monge ortodoxo que parecia andar a preparar as alfaias litúrgicas para uma qualquer cerimónia. Prosseguimos de carro até ao Mosteiro de Agios Stefanos, mas a meio do caminho tivemos de parar para deixar passar um rebanho de ovelhas. Curioso ver que o quotidiano de algumas famílias locais prevalece dependente do mesmo sustento que muitas outras famílias, há séculos atrás.
Agios Stefanos é um dos mosteiros onde ainda podemos encontrar monjas, que ali habitam e tomam conta do espaço. Deste local realço a igreja que tem frescos lindíssimos e as estruturas que as monjas utilizam para o chamamento às cerimónias religiosas - o
talanton.
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| Ágios Nikolaos Anapafsas, Mégalo Meteoro, Varlaam e Roussanou |
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| Frescos da igreja do Mosteiro de Agios Trias |
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| Rede e estrutura elevatória do Mosteiro de Agios Trias |
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| Primavera em Meteora |
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| Adicionar legenda |
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| Mosteiro Agios Stephanos |
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| Talanton |
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| Talanton |
Não conseguimos visitar o mosteiro de Roussanou porque fechou mais cedo. Por isso seguimos para Kalambaka para lanchar e pedir informações a uma empresa de hiking sobre as caminhadas na região. Gostávamos de fazer um dos monopatia (caminho dos monges), para conhecer a região fora do circuito turístico. Aconselharam-nos a inscrever-nos numa visita guiada, mas acabámos por não o fazer devido ao mau tempo e protelámos a decisão para a manhã do dia seguinte. Após o lanche, fizemos uma pequena caminhada até ao megalito Adrachti. Pelo caminho deparámo-nos com alguns currais escavados na rocha, que tinham sido utilizados para guardar vacas, e com antigos templos, também eles trogloditas. Apesar da chuva, lá continuámos caminho até ao megalito. No regresso ainda tivemos o bónus de assistir à preparação de uma celebração da Páscoa Ortodoxa na pequena capela de Agios Nikolaos.
O jantar foi na Taverna Paramithi, no centro de Kalambaka, onde comemos uns deliciosos pimentos verdes assados na brasa, uma moussaka e um rolo de carne recheado. Recomendamos vivamente o local. É um sítio muito pequenino, mas acolhedor, com uma decoração peculiar. A comida é tradicional, muito ao estilo da "comida da mãe", deliciosa e com um serviço pronto e simpático.
Meteora II
A seguir ao pequeno-almoço tentámos encontrar o livro "The Footpaths of Meteora, trekking in Greece", by Antonis Kalogirou, em vários locais da vila, mas sem sucesso. Decidimos ir fazer umas compras para o caso de precisarmos fazer umas sanduíches. Apesar da chuva que teimava em cair, havia sempre esperança de haver umas horas de "aberta"...
Como no dia anterior não tínhamos conseguido visitar o mosteiro de Roussanou, foi precisamente por aí que começámos. O Tiago, que já andava a reclamar por não o deixar sketchar à vontade, preferiu ficar no parque de estacionamento, dentro do carro, a desenhar. Do cimo do mosteiro a paisagem é fantástica, tal como dos restantes que tínhamos visitado no dia anterior. A diferença é que no momento em que o visitei, tinha acabado de chover torrencialmente e a paisagem molhada foi recebendo os raios de sol e o nevoeiro foi fazendo aparecer os mosteiros por trás do nevoeiro. Da varanda do mosteiro deu para avistar uns desmoronamentos no pináculo onde se encontra o mosteiro de Varlaam, provavelmente pedaços de terra que ficaram soltos com a chuva que caiu durante a noite e a madrugada. Quando desci, o carro estava trancado por dois autocarros, porque o Tiago estava tão entretido nos seus sketches que nem se apercebeu. Um dos motoristas facilitou a nossa passagem e lá fomos nós.

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| Vistas a partir do mosteiro de Roussanou |
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| Vistas a partir do mosteiro de Roussanou |
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| Vistas a partir do mosteiro de Roussanou |
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| Varlaam a partir de Roussanou |
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| Vistas a partir do mosteiro de Roussanou |
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| Vistas a partir do mosteiro de Roussanou |
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| Roussanou |
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| Vistas a partir do mosteiro de Roussanou |
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| Vistas a partir do mosteiro de Roussanou |
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| O resultado final do sketch do Tiago |
Como entretanto o bom tempo parecia ter voltado, decidimos fazer a caminhada, um dos monopatia, que permite a passagem por locais muito menos conhecidos e turísticos da zona. Escolhemos fazer um que começa próximo do mosteiro de Ágios Nikolaos Anapafsas termina em frente ao Mégalo Meteoro. Daí optámos por fazer um outro monopatia, mais pequeno, que sai do mosteiro e desce até à estrada, um pouco acima do mosteiro Ágios Nikolaos Anapafsas.
Na ausência de melhor, orientámo-nos pelo mapa turístico e não nos saímos nada mal!!! Absolutamente fantástico. Apesar de não ter sido uma caminhada muito longa, passámos por diferentes tipos de paisagens, cruzámos-nos com rebanhos e aves autóctones, campos de flores selvagens...
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| Monopatia I |
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| Monopatia I |
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| Monopatia I |
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| Monopatia I |
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| Monopatia I |
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| Monopatia I |
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| Monopatia I - Mosteiro abandonado em recuperação |
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| Monopatia I |
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| Monopatia I |
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| Monopatia I |
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| Monopatia I |
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| Monopatia I |
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| Monopatia I |
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| Monopatia I |
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| Monopatia I |
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| Monopatia I |
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| Monopatia II |
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| Monopatia II |
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| Monopatia II |
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| Monopatia II |
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| Megalito Adrachti |
Assim que chegámos ao carro, pensámos em almoçar, mas devido a algumas hesitações, seguimos até Trikala onde comemos um kebab e tomámos um café. De Trikala prosseguimos em direcção a Sul.
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| Loja de café, em Trikala |
Assim que entrámos na Ática, continuámos a estrada pela costa. O Tiago vinha entusiasmadíssimo com a ideia de jantar na costa e de comer peixe fresquinho. Acabou por acontecer, mas ficou um pouco aquém das nossas expectativas. Não só as doses eram pequenas, como a apresentação não era a que estávamos à espera. Depois de tanto tempo na Escandinávia a sonhar com pratos mediterrâneos, criámos expectativas demasiado altas, pelo menos nesta noite.
O cansaço já era imenso. Tinham sido muitas horas a conduzir, mas ainda queríamos ver o Templo de Poseídon, em Sounion. O problema é que já tínhamos o carro na reserva há um tempo... Voltámos para trás para abastecer, mas as bombas estavam fechadas. Há terceira tentativa conseguimos encontrar uma estação de serviço fechada, mas cujo funcionário ainda se encontrava no local, que nos explicou que as bombas de gasolina costumavam fechar às 21:00. Mas percebendo a nossa situação, decidiu abrir uma excepção e permitir que colocássemos gasolina. Cansados e cheios de sono, decidimos voltar para trás e procurar o templo. Não foi fácil e a dada altura já achávamos que andávamos perdidos, mas lá apareceu. Vimo-lo ao longe, por detrás do gradeamento do complexo. De noite, o cenário era fantástico, mas o vento agreste que se fazia sentir não permitiu uma longa permanência. Tempo para tirar umas fotos e seguir viagem até ao aeroporto.
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| Queijo feta panado com mel e sementes de sésamo |
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| As sardinhas estavam boas, mas quando pensei em sardinhas...pensei em sardinhas à portuguesa... não carapaus escalados... |
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| Halva - sobremesa grega muito comum feita de sêmola e azeite |
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| Templo de Poseidon - Cabo Sounion |
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