The Golden Land
O staff do nosso hotel era super simpático e prestável. Fizeram de tudo para nos dar as melhores dicas e desdobraram-se em esforços para nos ajudar. Depois de no dia anterior não termos conseguido viagem de autocarro entre Bagan e Kalaw, decidimos alugar um táxi para nos levar ao Monte Popa (Mount Popa), por 45.000kyats e, no regresso, teríamos uma resposta por parte do hotel das alternativas nos restavam para fazer a viagem até Kalaw.
Pelo caminho, já depois de sairmos do hotel, pedimos para ir a uma farmácia arranjar algo para umas alergias que nos apareceram: a mim no queixo, ao Tiago no pescoço. O nosso motorista explicou-nos que à partida seria uma alergia ao sol e ao calor, mas nunca chegámos a saber se foi isso na realidade. A farmácia era uma palhota à beira da estrada, com umas quantas tábuas a fazer de prateleiras e umas caixas de comprimidos e xaropes expostas. No atendimento estava uma menina, talvez com os seus 13/14 anos, que não falava uma única palavra de inglês. Foi o motorista que fez de interlocutor entre nós e ela e qual não é o nosso espanto quando ela retira umas carteirinhas de comprimidos de umas caixas e as estende para nós, como quem diz: escolham. A bula estava em birmanês o que não ajudou em nada. Lá optámos por umas e a realidade é que com o tempo a alergia foi passando. Não sabemos se o medicamento deu uma ajuda ou não ;)
Quando seguimos para o Monte Popa, o sol já ia bem alto.
Segundo lemos, este monte é um extinto vulcão, que se localiza a cerca de 50kms de Bagan e é um local de peregrinação para os birmaneses que se deslocam até ao cimo do monte para visitar os vários templos existentes em homenagem aos 37 nats (espíritos) que podem ajudar ou arruinar a vida das pessoas. O local está transformado num mercado cheio de barraquinhas onde se vendem souvenirs, ao longo das escadarias que permitem subir e descer o monte. Por lá passeia-se uma comunidade de macacos, pouco envergonhados, que esperam que os peregrinos/turistas lhes atirem com amendoins ou outros frutos secos. Já não costumam existir aqui em estado natural, mas foram reintroduzidos pela comunidade local para atrair turistas.
Custa subir os 700 degraus até ao cimo do monte, ainda por cima descalços, mas a recompensa chega quando atingimos o cume e nos vemos rodeados de pagodas e da paisagem circundante.
No sopé do monte, havia um mercado, mas nós decidimos almoçar uns quilómetros mais abaixo, na vila. Por lá, nos jardins, no mercado, nos restaurantes, por todo o lado, havia cestas ou frascos cheios de champaca - flores amarelas que os locais utilizam como oferendas às imagens budistas, com ornamento para os cabelos ou como ambientadores, pois têm uma fragrância intensa quando colocadas a flutuar em taças com água.
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| Escadaria de acesso ao Ponte Popa |
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| Comércio local no templo |
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| No topo do Monte Popa |
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| Vista sobre a vila do Monte Popa |
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| Escadaria de acesso ao Monte Popa |
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| Mercado no Monte Popa |
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| Monte Popa |
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| Mercado no Monte Popa |
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| Jaca |
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| Champaca |
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| Champaca |
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| Champaca engarrafada |
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| A palmeira macho dá fruto, a fêmea segrega um açúcar que permite fazer licor |
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| Moinho preparado para ser puxado por uma vaca |
A estrada que liga Bagan ao Monte Popa é uma atracção por si própria. Ao longo do caminho assistimos ao dia-a-dia das populações locais e tudo parece ter um encanto especial. Espraiam-se palmeiras ao longo da estrada e vêem-se as escada agarradas aos seus troncos. São várias as quintas que se dedicam à destilação e fabrico de licor através do açúcar de palma.
No regresso a Bagan, aproveitámos para descansar e arrumar as nossas coisas.
A dada altura fomos surpreendidos para ir à entrada do hotel "vistoriar" o carro que nos ia levar para Kalaw (130.000kyats). Por nós, parecia estar tudo bem, mas os senhores queriam ter a certeza de que estávamos satisfeitos com a limpeza e os tapetes colocados nos assentos. Ainda iam dar mais uma lavagem ao carro, embora ele já estivesse impecável. À hora combinada lá estavam eles à nossa espera.
Antes de sairmos, a recepção estendeu-nos uma caixinha de laca (tão característica desta região) com uns docinhos típicos de Bagan: rebuçados de tamarindo e rebuçados de licor de palma. Um staff de uma simpatia e humildade incrível.
Antes do início da viagem, os nossos motoristas efectuaram uma oração e lá seguimos caminho. Inicialmente não percebemos porque eram dois. Afinal o percurso era de apenas cerca de 300kms... Pelo caminho apercebemo-nos do porquê. Eles conduzem com o volante do lado direito, mas usam as faixas de rodagem como nós (também conduzem do lado direito), o motorista não tinha visibilidade para fazer as ultrapassagens, precisando para isso, de um co-piloto. A viagem foi segura, embora durante a maior parte do percurso não existisse qualquer tipo de iluminação. Confesso que para mim a viagem foi tranquila, porque adormeci depois do jantar, já noite escura e só acordei à porta do hotel em Kalam, às 23:00.
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