Marrocos: o país das cores
Chefchaouen - a cidade azul
Chegámos a Chefchaouen já de noite e a prioridade foi arranjar um local para estacionar o carro em segurança. Deixámo-lo num parque de estacionamento ao lado das muralhas da medina. Depois de negociado o preço para os dois dias que íamos ali passar e de deixarmos o carro destravado para que o conseguissem deslocar dentro do parque de estacionamento e assim conseguir gerir o espaço do parque, saímos em busca do Dar Antonio. "Dar" significa "casa" em árabe e foi assim que nos sentimos.
| Dar Antonio |
Assim que entrámos na recepção, percebemos que não era luxuoso, mas também não era isso que procurávamos. Queríamos algo confortável e limpo para repousar dos muitos quilómetros que tínhamos percorrido. Desde logo, ficámos surpreendidos pelas beleza policromática e pelo mobiliário. Simples, mas lindíssimo. Fiquei logo de queixo caído e o Tiago começou a sorrir porque percebeu o quanto eu estava a gostar. Subimos para o quarto que ficava no primeiro andar, virado para o pátio interior e com janela para as ruas da medina.
O quarto era pequenino, mas super acolhedor e não foi difícil adormecer.
Apesar de praticamente não termos visto nada, percebermos que a cidade era encantadora e por isso queríamos descansar para a desbravarmos no dia seguinte.
| Praça Uta al-Hammam |
Depois de acordar e de um banho quentinho numa casa-de-banho bastante rústica e num tanque de pedra, decorado por mãos marroquinas, fomos tomar o pequeno-almoço na Praça Uta el-Hammam. Debaixo de um sol de inverno provámos algumas das iguarias marroquinas que, de certeza foram tidas em consideração, aquando da eleição da Dieta Mediterrânea como Património Cultural Imaterial da Humanidade, em 2010: sumo natural de laranja, chá de hortelã, café, pão, manteiga, azeitonas de várias qualidades, mel, doce de damasco e queijo de cabra.
| Praça Uta al-Hammam |
Fantástico estar sentada a ver passar o tempo e a assistir ao quotidiano daquelas gentes, com sabores característicos, sentir raios de sol a fazer semicerrar os olhos e sentir o ar fresco que desde da encosta dos montes Kelaa e Megu.
| Medina |
Quando já estávamos saciados, percorremos as ruas da medina sem nos preocuparmos em seguir um percurso. É bom andarmos ao sabor do momento e seguir o pulsar das gentes locais. As ruas azuis e em tons lilases são uma delícia para qualquer turista, mas aqueles que gostam de fazer fotografia, encontram aqui um grande manancial de possibilidades.
| Medina |
Regressámos à praça Uta el-Hammam e decidimos visitar o Kasbah (a alcáçova), acedendo numa primeira fase a um jardim interior, passando depois pelos cárceres e subindo pelas salas do Museu Etnográfico até ao ponto mais alto, de onde se podia vislumbrar toda a medina e a Grande Mosquée, construída no século XV e, que segundo consta, é a única no mundo que possuí um minarete octagonal.
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| Kasbah |
Almoçámos num restaurante dentro da medina e começámos o nosso périplo pelas tagines (tagine de sardinha e tagine de vegetais). A bebida passou a ser o fantástico sumo de laranja natural e a sobremesa rodelas de laranja polvilhadas com açúcar e canela. Uma inesperada e agradável surpresa. Estava tudo delicioso.
| Muralha da cidade, na encosta dos montes Kelaa e Megu |
Voltámos a embrenhar-nos nas ruas de Chefchaouen e subimos até às muralhas, no ponto mais alto para termos noção da real dimensão da cidade. Num dos torreões encontrámos um local que nos fez uma estranha abordagem. Não percebemos o que ele nos estava a tentar dizer, mas deduzimos que fosse uma tentativa de nos vender haxixe, uma vez que a sua plantação é legal nesta região.
Continuámos o nosso caminho pela muralha e depois pelas ruas típicas da medina até ao ribeiro, dirigindo-nos depois para um trilho já fora da medina, de onde assistimos ao pôr-do-sol.
O jantar foi novamente num restaurante da medina. Uma fantástica sopa de tomate e lentilhas, tagines e mais tagines e claro, por fim, fruta local. Tudo pela modesta quantia de 104 dirhams.




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