28 de abril de 2014

INLE LAKE

The Golden Land

Inle lake I

O Inle lake cobre 110km2 e é rodeado de aldeias habitadas pelos Intha, Shan e outros grupos étnicos e tribos das colinas dos arredores, incluindo Pa O e Padaung.

Como já tínhamos feito uma pequena incursão no lago, no dia anterior, destinámos o dia a percorrer as redondezas de Nyaungshwe. Ainda dentro da vila, passámos ao lado do Kan Gyi Kyaung - o maior mosteiro da vila, com cerca de 250 monges. Como era manhãzinha, parámos no mercado de Mingala para assistir à agitação dos comerciantes a venderem os produtos frescos que chegam do lago, principalmente peixe, vegetais, frutos. Aqui, ao coloridos dos produtos agrícolas e hortícolas, junta-se o das flores, ao cheiro do peixe e da carne e à diversidade de artesanato local e objectos de uso diário para as populações (comida, especiarias, tigelas usadas pelos monges para recolherem a esmola dos devotos, artefactos de pesca, chapéus, vassouras, roupa, ...). 
Saímos da vila propriamente dita e começamos a percorrer uma enorme recta, em direcção a Norte, que entrava na zona rural, passeando pelos meio de extensos campos de arroz. Pelo meio parámos para assistir à monda do arroz e descansar um pouco. Seguimos em direcção ao Mosteiro de Shwe Yaunghwe Kyaung - um dos mais conhecidos mosteiros de Inle Lake, senão o mais conhecido, devido às suas janelas ovais de teca que permitem retratos fotográficos excelentes aos noviços em aprendizagem e meditação. O templo do século XIX é lindíssimo. Dá vontade de ficar ali a contemplá-lo e perder a noção do tempo. Do outro lado da estrada havia umas pequenas barracas onde se podia comer (fizemos uma pausa para petiscar, pois claro) e onde se vendiam souvenirs e velharias. Não resisti a comprar uma pulseira com um padrão tribal fantástico. 
O tempo começou a refrescar e dali decidimos regressar a Nyaungshwe e seguir de bicicleta até 
às termas. Estas ficam a cerca de 8 quilómetros  de Nyaungshwe, na aldeia Intha de Kaung Daing. Não entrámos para as visitar porque o dia já ia avançado. De qualquer das formas, o passeio de bicicleta até aqui valeu mesmo a pena porque nos valeu experienciar a zona rural, assistindo à agitação da população nas tarefas do dia-a-dia, em particular na monda e transplante do arroz. A dada altura, cruzamo-nos com uns trabalhadores que estavam a compor uma estrada e qual não é o meu espanto quando vejo uma t-shirt da selecção nacional. Comecei a apontar para ele e a explicar o porquê da minha alegria sem que ele me entendesse. Mas, por fim, acho que entretanto o rapaz percebeu e ficou todo sorridente quando lhe perguntei se podia tirar uma fotografia. 
Nas termas aproveitámos para comer qualquer coisa. Como já era relativamente tarde e estávamos exaustos, decidimos alugar um barco e regressar a Nyaungshwe. Porque ainda havia luz, decidimos fazer mais umas deambulações de bicicleta. Fomos ainda brindados com uma enorme cerimónia budista, em que se festeja a introdução de jovens ao noviciado budista. 
De regresso ao hotel,  assistimos a mais um pôr-do-sol dourado junto a umas estupas magníficas e ao som dos seus sininhos a baloiçar ao vento, proporcionando mais um momento único.


Kan Gyi Kyaung Monastery
Mingala Market 
Mingala Market
Mingala Market
Mingala Market
Mingala Market
Mingala Market
Mingala Market 
Mingala Market 
Nyaungshwe streets
Rice fields
Rice fields
Rice fields
Rice fields
Rice fields
Shwe Yaunghwe Kyaung Monastery
Shwe Yaunghwe Kyaung Monastery
Shwe Yaunghwe Kyaung Monastery 
Shwe Yaunghwe Kyaung Monastery
Shwe Yaunghwe Kyaung Monastery 
Shwe Yaunghwe Kyaung Monastery
Shwe Yaunghwe Kyaung Monastery

Shwe Yaunghwe Kyaung Monastery

Shwe Yaunghwe Kyaung Monastery
Shwe Yaunghwe Kyaung Monastery













Novitiate buddhist ceremony
Novitiate buddhist ceremony
Novitiate buddhist ceremony
Novitiate buddhist ceremony
Novitiate buddhist ceremony
Novitiate buddhist ceremony
Novitiate buddhist ceremony
Novitiate buddhist ceremony






Inle lake II

Na manhã seguinte mudámos de hotel e começámos o dia com uma tour de barco, pelo lago, com duas japonesas que andavam a fazer uma volta ao mundo. Durante o passeio tivemos oportunidade de fotografar uma das imagens de marca de Inle Lake - os pescadores que usam distintas técnicas piscatórias, nomeadamente a das enormes cestas cónicas que são empurrados para o fundo do lago raso, capturando, dessa forma, o peixe.
Do centro do lago, seguimos para uma das aldeias lacustres onde o barco atracou e onde tivemos algum tempo para visitar uma fábrica onde raparigas e mulheres faziam charutos e vendiam outros artefactos locais como, por exemplo, os sacos tradicionais. Mesmo que não comprássemos nada, era-nos sempre oferecido um copo de chá. Uma simpatias, estas gentes. Para aceder a esta fábrica, tivemos de atravessar um campo onde havia um grupo de estupas douradas lindíssimas e depois uma pequena e frágil ponte de madeira. Quando saímos do local, ainda deu tempo para passar num mercado que se fazia nas imediações, onde se encontravam peças fantásticas de artesanato local e de roupas tecidas nas muitas fábricas de tecelagem do lago. 
A hora de almoço não tardou e o guia levou-nos até ao Royal Palace Restaurant - um restaurante palafítico, algures no lago. Ficámos bastante apreensivos, mas apesar de ser considerado um restaurante unicamente destinado a turistas e de já fazer parte dos roteiros onde os barqueiros levarem os turistas a almoçar, o serviço e a comida (especialmente Shan) era saborosa e os preços não eram muito elevados.



Balança mas não cai!!! :)
Bombas de gasolina - atestar o depósito para não ficarmos apeados no meio do lago!!! :)




















De tarde visitámos uma fábrica onde se desenvolvia uma indústria têxtil com uma matéria-prima muito especial: o caule da flor de lótus, onde nos foi explicado todo o processo de fabrico, desde a recolha dos caules, ao corte até à fiação e consequente tecelagem nos teares. Várias mulheres trabalhavam nestas fábricas a tecer longos rolos de tecido que mais tarde iriam dar origem a longyis e a écharps. 
Seguimos para a Golden Pagoda - Hpaung Daw U Pagoda - onde vimos algumas mulheres da tribo Pa-O em meditação junto ao templo. Dali seguimos para o Nga Hpe Kyaung - Jumping Cat Monastery. Este mosteiro é conhecido pelos gatos acrobáticos. Como tal, aguardámos que os gatos fizessem algumas piruetas,  mas eles não estavam para ali virados e preferiam esparramar-se no chão a descansar.  
Enquanto isso, também nós aproveitámos para descansar um pouco e passado algum tempo apercebemo-nos que nós éramos alvo de muitos olhares e cochichos. Da mesma maneira que para nós, os locais nos aguçam a curiosidade, por serem diferentes de todas as pessoas com que nos cruzamos no nosso dia-a-dia, também nós, somos para eles, alvo de curiosidade. Aqui tivemos, uma vez mais, perfeita consciência que este povo tão amigável e simpático, ainda não está familiarizado com ocidentais. Um chefe de família mais extrovertido, veio ter comigo e explicar-me que, já que estava sentada no chão, de frente para uma imagem de um buda, não deveria ter os pés e as pernas a apontar para a estátua, mas recolhidas no sentido oposto. Agradeci a indicação, explicando que desconhecia tal prática e que não o tinha feito por maldade. Anuiu muito sorridente e perguntou se nos podia tirar fotografias. Acabámos por tirar uma série delas, algumas em conjunto com a sua numerosa família. Um momento muito divertido de interacção com locais, onde nem os entraves da língua foram impedimento desta experiência fantástica e da trocas de sorrisos genuínos.
O dia acabou no Mercado Nocturno - onde se pode comer uns fantásticos noodles à moda Shan, tofu e os já habituais vegetais salteados, carnes grelhadas e os hot pot. São experiências únicas, mas para tal, a pessoa tem de estar preparada para descer o seu patamar de exigência e se abstrair de determinadas condições higiénicas, nomeadamente dos ratos e cães que se passeavam num muro que existia nas imediações. Apesar disso, a comida era fantástica e super saborosa. 



Corte do caule da flor de lótus














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