The Golden Land
Inle lake I
O Inle lake cobre 110km2 e é rodeado de aldeias habitadas pelos Intha, Shan e outros grupos étnicos e tribos das colinas dos arredores, incluindo Pa O e Padaung.
Como já tínhamos feito uma pequena incursão no lago, no dia anterior, destinámos o dia a percorrer as redondezas de Nyaungshwe. Ainda dentro da vila, passámos ao lado do Kan Gyi Kyaung - o maior mosteiro da vila, com cerca de 250 monges. Como era manhãzinha, parámos no mercado de Mingala para assistir à agitação dos comerciantes a venderem os produtos frescos que chegam do lago, principalmente peixe, vegetais, frutos. Aqui, ao coloridos dos produtos agrícolas e hortícolas, junta-se o das flores, ao cheiro do peixe e da carne e à diversidade de artesanato local e objectos de uso diário para as populações (comida, especiarias, tigelas usadas pelos monges para recolherem a esmola dos devotos, artefactos de pesca, chapéus, vassouras, roupa, ...).
Saímos da vila propriamente dita e começamos a percorrer uma enorme recta, em direcção a Norte, que entrava na zona rural, passeando pelos meio de extensos campos de arroz. Pelo meio parámos para assistir à monda do arroz e descansar um pouco. Seguimos em direcção ao Mosteiro de Shwe Yaunghwe Kyaung - um dos mais conhecidos mosteiros de Inle Lake, senão o mais conhecido, devido às suas janelas ovais de teca que permitem retratos fotográficos excelentes aos noviços em aprendizagem e meditação. O templo do século XIX é lindíssimo. Dá vontade de ficar ali a contemplá-lo e perder a noção do tempo. Do outro lado da estrada havia umas pequenas barracas onde se podia comer (fizemos uma pausa para petiscar, pois claro) e onde se vendiam souvenirs e velharias. Não resisti a comprar uma pulseira com um padrão tribal fantástico.
O tempo começou a refrescar e dali decidimos regressar a Nyaungshwe e seguir de bicicleta até
às termas. Estas ficam a cerca de 8 quilómetros de Nyaungshwe, na aldeia Intha de Kaung Daing. Não entrámos para as visitar porque o dia já ia avançado. De qualquer das formas, o passeio de bicicleta até aqui valeu mesmo a pena porque nos valeu experienciar a zona rural, assistindo à agitação da população nas tarefas do dia-a-dia, em particular na monda e transplante do arroz. A dada altura, cruzamo-nos com uns trabalhadores que estavam a compor uma estrada e qual não é o meu espanto quando vejo uma t-shirt da selecção nacional. Comecei a apontar para ele e a explicar o porquê da minha alegria sem que ele me entendesse. Mas, por fim, acho que entretanto o rapaz percebeu e ficou todo sorridente quando lhe perguntei se podia tirar uma fotografia.
Nas termas aproveitámos para comer qualquer coisa. Como já era relativamente tarde e estávamos exaustos, decidimos alugar um barco e regressar a Nyaungshwe. Porque ainda havia luz, decidimos fazer mais umas deambulações de bicicleta. Fomos ainda brindados com uma enorme cerimónia budista, em que se festeja a introdução de jovens ao noviciado budista.
De regresso ao hotel, assistimos a mais um pôr-do-sol dourado junto a umas estupas magníficas e ao som dos seus sininhos a baloiçar ao vento, proporcionando mais um momento único.
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| Kan Gyi Kyaung Monastery |
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| Mingala Market |
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| Mingala Market |
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| Mingala Market |
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| Mingala Market |
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| Mingala Market |
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| Mingala Market |
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| Mingala Market |
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| Mingala Market |
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| Nyaungshwe streets |
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| Rice fields |
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| Rice fields |
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| Rice fields |
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| Rice fields |
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| Rice fields |
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| Novitiate buddhist ceremony |
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| Novitiate buddhist ceremony |
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| Novitiate buddhist ceremony |
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| Novitiate buddhist ceremony |
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| Novitiate buddhist ceremony |
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| Novitiate buddhist ceremony |
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| Novitiate buddhist ceremony |
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| Novitiate buddhist ceremony |
Inle lake II
Na manhã seguinte mudámos de hotel e começámos o dia com uma tour de barco, pelo lago, com duas japonesas que andavam a fazer uma volta ao mundo. Durante o passeio tivemos oportunidade de fotografar uma das imagens de marca de Inle Lake - os pescadores que usam distintas técnicas piscatórias, nomeadamente a das enormes cestas cónicas que são empurrados para o fundo do lago raso, capturando, dessa forma, o peixe.
Do centro do lago, seguimos para uma das aldeias lacustres onde o barco atracou e onde tivemos algum tempo para visitar uma fábrica onde raparigas e mulheres faziam charutos e vendiam outros artefactos locais como, por exemplo, os sacos tradicionais. Mesmo que não comprássemos nada, era-nos sempre oferecido um copo de chá. Uma simpatias, estas gentes. Para aceder a esta fábrica, tivemos de atravessar um campo onde havia um grupo de estupas douradas lindíssimas e depois uma pequena e frágil ponte de madeira. Quando saímos do local, ainda deu tempo para passar num mercado que se fazia nas imediações, onde se encontravam peças fantásticas de artesanato local e de roupas tecidas nas muitas fábricas de tecelagem do lago.
A hora de almoço não tardou e o guia levou-nos até ao Royal Palace Restaurant - um restaurante palafítico, algures no lago. Ficámos bastante apreensivos, mas apesar de ser considerado um restaurante unicamente destinado a turistas e de já fazer parte dos roteiros onde os barqueiros levarem os turistas a almoçar, o serviço e a comida (especialmente Shan) era saborosa e os preços não eram muito elevados.
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| Balança mas não cai!!! :) |
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| Bombas de gasolina - atestar o depósito para não ficarmos apeados no meio do lago!!! :) |
De tarde visitámos uma fábrica onde se desenvolvia uma indústria têxtil com uma matéria-prima muito especial: o caule da flor de lótus, onde nos foi explicado todo o processo de fabrico, desde a recolha dos caules, ao corte até à fiação e consequente tecelagem nos teares. Várias mulheres trabalhavam nestas fábricas a tecer longos rolos de tecido que mais tarde iriam dar origem a longyis e a écharps.
Seguimos para a Golden Pagoda - Hpaung Daw U Pagoda - onde vimos algumas mulheres da tribo Pa-O em meditação junto ao templo. Dali seguimos para o Nga Hpe Kyaung - Jumping Cat Monastery. Este mosteiro é conhecido pelos gatos acrobáticos. Como tal, aguardámos que os gatos fizessem algumas piruetas, mas eles não estavam para ali virados e preferiam esparramar-se no chão a descansar.
Enquanto isso, também nós aproveitámos para descansar um pouco e passado algum tempo apercebemo-nos que nós éramos alvo de muitos olhares e cochichos. Da mesma maneira que para nós, os locais nos aguçam a curiosidade, por serem diferentes de todas as pessoas com que nos cruzamos no nosso dia-a-dia, também nós, somos para eles, alvo de curiosidade. Aqui tivemos, uma vez mais, perfeita consciência que este povo tão amigável e simpático, ainda não está familiarizado com ocidentais. Um chefe de família mais extrovertido, veio ter comigo e explicar-me que, já que estava sentada no chão, de frente para uma imagem de um buda, não deveria ter os pés e as pernas a apontar para a estátua, mas recolhidas no sentido oposto. Agradeci a indicação, explicando que desconhecia tal prática e que não o tinha feito por maldade. Anuiu muito sorridente e perguntou se nos podia tirar fotografias. Acabámos por tirar uma série delas, algumas em conjunto com a sua numerosa família. Um momento muito divertido de interacção com locais, onde nem os entraves da língua foram impedimento desta experiência fantástica e da trocas de sorrisos genuínos.
O dia acabou no Mercado Nocturno - onde se pode comer uns fantásticos noodles à moda Shan, tofu e os já habituais vegetais salteados, carnes grelhadas e os hot pot. São experiências únicas, mas para tal, a pessoa tem de estar preparada para descer o seu patamar de exigência e se abstrair de determinadas condições higiénicas, nomeadamente dos ratos e cães que se passeavam num muro que existia nas imediações. Apesar disso, a comida era fantástica e super saborosa.
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| Corte do caule da flor de lótus |
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