13 de julho de 2015

DELTA DO MEKONG

BEN TRE


O nono dia estava destinado ao Delta do Mekong. Como já tínhamos vindo dormir a Ben Tre, depois do pequeno-almoço foi só apanhar um táxi até uma agência que organizasse uma tour de meio dia, porque ao final da tarde tínhamos vôo para Phu Quoc. Encontrámos a BenTre Tourist Joint Stock Co. e explicámos o que queríamos fazer e do tempo de que dispúnhamos. A senhora que trabalhava lá foi super simpática arranjou logo um plano (70.000VND/3 pessoas). Assim que saímos da agência (a senhora - Phan Duyen - fechou as portas e assumiu o papel de guia turística), já tínhamos transporte à espera para nos levar até ao Mercado de Ben Tre, onde apanharíamos o barco para subir o rio.
Mercado de Ben Tre

Mercado de Ben Tre

Mercado de Ben Tre

Mercado de Ben Tre
O Mekong tem uma das biodiversidades mais ricas do planeta e é de extrema importância para as populações dos locais por onde passa, pois é dele que tiram o seu sustento. Daí o nome Mekong - Mae Nam Khong - "Mãe Água". Nasce no planalto tibetano e atravessa a China, o Myanmar, a o Laos, a Tailândia, o Cambodja e desagua no Vietnam, sendo um dos maiores do mundo.
Por aqui, os dias começam cedo. Mais parece que as pessoas nunca dormem. Assim que o barco chegou, começámos a subir o rio e a observar o quotidiano destas gentes ao longo das margens. A primeira paragem foi numa fábrica de tijolos onde nos foi explicado todo o processo de fabrico,  corte, cozedura e armazenamento. Retomámos ao barco e continuámos a subir o rio, deixando um dos seus braços principais para entrar noutro mais pequeno e nos embrenharmos no meio de canais de água intercalados por extensões de terra onde se encontravam casas escondidas no meio das palmeiras, bananeiras e coqueiros. Parámos numa casa onde transformavam o côco: retiravam a casca fibrosa com uma catana (que seria mais tarde utilizada para fazer tapetes), depois com a ajuda de uma faca, separaram o fruto branco, da casca dura castanha. O primeiro era utilizado para fazer uns doces de côco, deliciosos por sinal, enquanto o segundo para queimar e fazer carvão que seria utilizado posteriormente como combustível. Ali, bebemos um chá com mel local e provámos os doces que se produziam com côco e a as batatas doces fritas. Dali seguimos para um local onde vimos como os locais aproveitavam uma erva que cresce nos campos de arroz para fazer tapetes. Enquanto isso, trouxeram-nos novamente chá e uma série de frutos que são produzidos nos "pomares" do Mekong: pomelo, melância, rambutan e jaca. Realmente estas margens são bastante férteis e representam um quintal para os locais. Depois de uma pequena, mas bem animada e agitada, viagem no atrelado de uma mota e de uma caminhada por entre um emaranhado de carreirinhos e pontes, chegámos a um pequenino barco a remos. Que experiência espectacular!!!
Regressámos ao barco a motor que nos esperava noutro ponto e voltámos para Ben Tre e daqui apanhámos transporte para Ho Chi Minh.

Quase todos os barcos do Mekong têm olhos. Várias explicações são apontadas para este facto: para afugentar, em tempos idos, os crocodilos e outros animais perigosos que habitavam o rio, ou por superstição, para trazer boa sorte e ajudar os donos dos barcos a encontrar o caminho. Hoje em dia são uma das imagens de marca do Delta.
Fábrica de tapetes feitos com a fibra retirada da casca do côco. Aqui aplica-se o princípio de Lavoisier: Na Natureza nada se perde e nada se cria, tudo se transforma. A casca exterior do côco é utilizada para fazer tapetes, a carcaça dura é queimada para produzir carvão e o fruto interior branco e o sumo são utilizados para fazer os rebuçados de côco tão característicos desta região.
Fábrica de tijolos. Aqui tudo é feito artesanalmente.

Fábrica de tijolos: entrada de um forno. O combustível utilizado para aquecer o forno é a casca seca do arroz.

Fábrica de tijolos: interior de um forno. Quando os tijolos são colocados no interior do forno, este fica completamente cheio e sem espaço para o trabalhador sair, pelo que utiliza o orifício no topo para sair.

Fábrica de tijolos: exterior de um forno. A escadaria por onde o trabalhador que empilha os tijolos sai. 







Côco de água
Pomelo

Fábrica de tapetes feitos de uma erva que cresce nos campos de arroz.




Uma das muitas aldeias flutuantes do Delta.
Algumas das visitas que fizemos percebia-se que estavam preparadas para o turista, no entanto, como fizemos o passeio "à nossa medida" e apenas com a nossa guia, sentimos que apreciámos o quotidiano destas gentes de uma forma muito natural e genuína, sem interferir com as suas rotinas. Em suma, visitar o Sudeste asiático sem deambular pelo Delta do Mekong é, sem dúvida, uma visita incompleta.

Depois do almoço em Ho Chi Minh, fomos de táxi para o aeroporto de onde saímos para Phu Quoc.
O jantar foi uma chicken noodles soup e um milkshake de manga e banana no 143 Seafood Restaurant, já em Phu Quoc. Foi tão bom que regressámos no dia seguinte. 

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