17 de julho de 2015

HOI AN

Hoi An old town - Traditional silk lanterns

HOI AN I

Chegámos ao aeroporto de Danang cedinho, pelo que foi só apanhar um táxi do aeroporto para Hoi An (500.000 dong/3 pessoas). Assim ainda conseguimos aproveitar parte da manhã na lindíssima e charmosa cidade de Hoi An. Optámos por aluguer bicicletas para nos deslocarmos (1 dólar/dia). A bicicleta não só é uma das imagens de marca do Vietnam como é uma das melhores formas de nos movimentarmos, sem causar impacto ambiental, permitindo-nos descobrir os recantos mais bem guardados. 

O antigo porto vietnamita de Hoi An, 30 kms a sul de Danang, é um dos mais bem preservados portos do género em toda a Ásia. Foi em tempos ponto de paragem de barcos que vinham do Japão, da China, de Portugal, da França, da Holanda e do Médio Oriente, desempenhando um papel fundamental na área do comércio. Rivalizou com cidades como Malaca (Malásia) e Macau (China) o título de porto dominante naquela região. O seu auge decorreu entre os séculos XVII e XIX e devido ao facto do seu centro histórico ter sobrevivido quase intacto à Guerra do Vietnam e de manter a traça original, livre da circulação de carros, esta cidade ribeirinha, é considerada Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. Apesar do turismo, o centro histórico permanece quase inalterado e sem mácula do desenvolvimento que se faz sentir fora dos seus limites, permitindo ao turista perceber como é que era o dia-a-dia desta população, mesclada, que vivia do comércio. 

Comprámos o bilhete (120.000 dong/pessoa) que permite a visita de todas as ruas do centro histórico e 5 espaços de entre 21 possibilidades de visita, entre eles a ponte japonesa, as casas comunais, museus e casas antigas. Ver aqui todas as potencialidades do bilhete.
O primeiro local que decidimos visitar foi a Câmara da Assembleia Cantonesa - Trieu Chau Assembly Hall -, seguindo depois para a famosa ponte coberta japonesa - Japanese Covered Bridge, do século XVI (1590). Passámos ainda pela Cam Pho Communal House e antes do almoço ainda visitámos o Hoi An Handicraft Workshop, onde vimos alguns artesãos a fabricar artesanato local (as famosas lanternas; o ciclo da seda, desde o crescimento do bicho-da-seda até ao tecido final...). Almoçámos numa banca de rua, na margem do rio, onde provámos o famoso Cao Lao, prato típico da cidade. Depois do almoço demos um pequeno passeio de bicicleta, visitámos a casa antiga de Tan Ky - Old House of Tan Ky -, tomámos café na Cotic Boutique, visitámos o Mieu Hy Hoa Temple  e depois o Tiago foi sketchar e dar um salto à praia. Enquanto isso, eu e a Liliana visitámos o Hoa Van Le Nghia Temple, o Fujian Assembly Hall (Phuc Kien) e, por fim, o famoso Quan Kong Temple (Ong Pagoda), mandado construir pelos chineses. Em frente ao templo, estende-se o Mercado Central. Para quem conhece o Sudeste Asiático, sabe como os mercados são fantásticos, mas confesso que este é, do que conheço, um dos meus favoritos. Pela mescla de cores e de produtos, pelas caras que dão vida a esse colorido, de raízes várias, tal e qual como a cidade. Vemos traços japoneses, chineses e vietnamitas, encimados por chapéus cónicos de bambu que protegem as suas caras do calor e do sol. Um regalo para quem gosta do contacto com outras culturas e para os amantes da fotografia. Aqui é impossível não fazer boas fotografias!!!
Como não podia deixar de ser, eu e a Liliana não conseguimos resistir e comprámos alguns souvenirs: brincos, colares e até bases individuais para dar  um ar ainda mais multicultural às nossas refeições.
A cidade é pequenina e continuámos a palmilhá-la, descobrindo sítios novos e voltando a passar em locais onde já tínhamos estado anteriormente. Hoi An é daqueles sítios que nunca nos cansamos, por isso passar duas ou três vezes pelo mesmo sítio não é sacrifício nenhum. A cidade é também conhecida como hub de tailor shops, com roupa feita à medida por costureiras e alfaiates. O cliente entra na loja, escolhe um modelo, tira as medidas e em menos de 24 horas tem a sua encomenda pronta. E se preferir, até pode ser entregue no hotel. Escusado será dizer que me enamorei-me por dezenas de peças de roupa. Casacos então... uma loucura!!! Ainda bem que viajamos com mochilas, senão acho que teria perdido a cabeça e comprado uma série deles. Assim, só comprei um. ;)
Encontrámo-nos com o Tiago no hostel e depois de um banho, fomos novamente para o centro histórico, onde jantámos. Durante a tarde, tínhamos encomendado várias lanternas de seda, com diversas cores e feitios, a uma senhora que tinha uma banquinha num dos acessos à cidade antiga. Foi mesmo aí que jantámos, enquanto aguardávamos que ela os terminasse. A noite estava bastante quente e convidava a algo refresco e, por isso, decidimos ir comer um gelado. Difícil era escolher o onde, já que espaços bonitos e charmosos não faltavam. Escolhemos um espaço que nos chamou a atenção por ser uma livraria super interessante no piso térreo. Seguimos a indicação e o restaurante localizava-se nos andares superiores - The Chef. Conseguimos lugar no terraço, onde desfrutamos o final do dia num ambiente acolhedor, com um céu escuro-escuro, pontilhado pela luz das dezenas de lanternas que iluminavam o espaço e os telhados das casas circundantes. Uma imagem que ficará na memória.
A noite já ia avançada e o cansaço apoderou-se de nós. Afinal o dia tinha começado muito cedo. A Liliana regressou ao hostel e eu e o Tiago decidimos dar um passeio pelas ruas quase desertas do Mercado Central. Quando na margem do rio, decidimos colocar uma lanterna de papel com o desejo de um dia voltarmos a este local. Já a caminho do hostel, vimos os comerciantes locais a fazer pequenas fogueiras, um ritual que também pode ser feito logo pela manhã, onde queimavam incenso, papéis de orações. Até estes rituais de boa sorte dão encanto e charme à cidade.

Hoi An old town - Traditional  silk lanterns
Hoi An old town - Traditional silk lanterns

Trieu Chau Assembly Hall - Fontanário nas traseiras da Câmara da Assembleia Cantonesa - construída pelos chineses, data do século XIX - 1845 - e é dedicada ao deus do vento e das grandes ondas
Japanese Covered Bridge
Trieu Chau Assembly Hall
Japanese Covered Bridge
Japanese Covered Bridge

Cam Pho Communal House - século XIX (1817)
Hoi An Handicraft Workshop
Cao lao
Hoi An old town
Hoi An
Hoi An
Hoi An
Hy Hoa Temple

Hoa Van Le Nghia
Hoa Van Le Nghia
Fujian Assembly Hall (Phuc Kien)
Fujian Assembly Hall (Phuc Kien)
Fujian Assembly Hall (Phuc Kien)
Fujian Assembly Hall (Phuc Kien)

Fujian Assembly Hall (Phuc Kien)
Quan Kong Temple

Central Market
Central Market
Central Market
Central Market

Central Market
Hoi An - All the boats have painted big eyes because of a legend of a sea monster. The eyes are to scare it of, like a good luck charm
Hoi An


Praia onde o Tiago foi durante a tarde

Hoi An old town - Traditional lanterns
Hoi An old town - Traditional lanterns
Hoi An old town - Traditional silk lanterns. Entrance to The Chef
Hoi An old town - Traditional silk lanterns - The Chef
Hoi An old town - Traditional lanterns
Oferendas e orações no final de mais um dia
Apesar de não ser noite de lua cheia, também colocámos uma lanterna de papel no rio

A nossa lanterna de papel


HOI AN II


Pequeno-almoço tomado e alugadas duas scooters por 6 dólares (3 horas), dirigimo-nos para a praia de Cua Dai. Não tenho ficado deslumbrada com as praias do Vietnam, mas quero acreditar que isso se deve ao facto de estarmos a fazer esta viagem em Julho. O céu nublado e as correntes fazem com que o mar esteja agitado, com ondas e, portanto, sem areal. As águas não são cristalinas nem a areia é branca como as fotos que vi nas pesquisas, mas penso que quem viagem na época alta (Novembro a  Fevereiro) tem mais sorte. Independentemente disso, a temperatura da água estava maravilhosa e deu para refrescar e matar saudades da praia. Regressámos a Hoi An porque tínhamos o autocarro para Hué às 13:30. No percurso entre a praia e Hoi An percorremos caminhos locais por entre os arrozais e algumas línguas de água onde os autóctones se dedicavam à pesca e a outras actividades ligadas à agricultura. 
Cua Dai Beach

Cua Dai Beach


Já em Hoi An, a Liliana ficou no hostel, enquanto nós fomos tentar encontrar a galeria do fotógrafo Réhann. É um fotógrafo francês, de quem seguimos o trabalho, e como sabíamos que a sua base é aqui em Hoi An, decidimos que iríamos comprar o seu livro do Vietnam aqui e pedir que o autografasse. Depois de encontrarmos o local e de vermos algum do seu trabalho exposto, ficámos a saber que tinha aberto uma outra galeria. Lá fomos nós, mas não o conseguimos encontrar porque estava numa viagem fotográfica no Norte do Vietnam. Para nossa satisfação tinha deixado um livro autografado!!! Há pessoas com sorte!!! ;)
O almoço de hoje é digno de menção. Depois de tantos dias a comer arroz frito, noodles, caolai e afins, fiquei extremamente feliz por comer um arroz com vitela e ananás, que embora fosse frita, soube maravilhosamente.
Seguiu-se a viagem de autocarro entre Hoi An e Hue. O bilhete ficou em 6 dólares a cada um. Pelo caminho passámos pela DMZ - Demilitarized Zone e atravessámos o túnel Hai Van. Esta zona supostamente desmilitarizada, foi na prática uma zona de forte presença militar durante a Guerra do Vietnam. Algumas das ferozes e sangrentas batalhas da guerra decorreram a sul desta zona, onde alguns filmes sobre esta temática foram gravados. Não nos podemos esquecer que esta região foi uma das mais afectadas pelo agente laranja, o químico que sob a forma de um potente pesticida que foi lançado sobre as florestas e vegetação vietnamitas, cujo efeito ainda se faz sentir nos dias de hoje. Apenas uma curiosidade, 40 anos depois a dioxina ainda permanece no meio ambiente, tendo impacto na vida das populações e dos animais, muito embora os governos vietnamita e norte-americano , finalmente, tenham começado operações de limpeza do solo contaminado. Mais vale tarde que nunca.
Mas como dizia, as paisagens desta região são brutais. Têm aquilo que eu gosto nas viagens independentes: a saída dos meios urbanos e o embrenhar nas regiões do interior, bem menos visitado e portanto com menos impacto do turismo. Onde o quotidiano das populações locais se desenrola ao seu próprio ritmo e sem as interferências e influências do mundo ocidental. Tudo é mais natural e genuíno. As paisagens de selva, intercalam-se com os vastos campos de arroz, onde os camponeses se dedicam aos seus afazeres e guardam os búfalos de água. Onde os pescadores remam os seus rudimentares barcos de madeira e pescam com as suas técnicas ancestrais e artesanais. Isto é o que me enche a alma nestas viagens.
Esta região, também conhecida como Hai Van Pass, estende-se por cerca de 20 kms e localiza-se a 1172 metros do nível do mar, serpenteia entre as cidades de Danang e Hum, é a passagem mais alta e longa do Vietnam. Separa geográfica e climatericamente o país em dois, onde os ventos do norte raramente penetram o sul da passagem.



Chegámos a Hue ao final da tarde e a primeira impressão com que ficámos da cidade não foi a melhor, sujidade e desorganização por todo o lado. Depois de uma caminhada nocturna em vão para encontrar a estação ferroviária, acabámos por optar procurar um local para jantar. Já estávamos tão fora do circuito turístico, que acabámos por nos meter num restaurante local que nos pareceu razoável para os padrões locais. Bem, foi uma aventura e tanto. Quer os funcionários, quer os clientes pareciam nunca ter visto ocidentais, pelo que se gerou uma grande algazarra à nossa volta. Ninguém sabia falar inglês e entre gestos a apontar para imagens nas paredes e o dicionário do guia da Lonely Planet, lá conseguimos pedir alguma coisa para comer. Escusado será dizer que o que nos serviram não era exactamente o que tínhamos pedido, mas não ficámos mal servidos. Além disso, para a posteridade fica o momento hilariante que vivemos naquele local.

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