3 de abril de 2015

ATHENS

Athens I


Ainda estávamos a sobrevoar a península da Ática e já estávamos maravilhados com o que víamos. Sol brilhante e céu azul vivo a condizer com o tom da água. Meses de neve na Escandinávia acentuam ainda mais a nossa percepção para a transição. O Sul da Europa é, sem sombra de dúvidas, muito mais brilhante e colorido.
Península da Ática
Do aeroporto apanhámos o metro até Plateia Omonias, praça mais próxima do nosso hotel, onde deixámos as mochilas. Rapidamente descemos e começámos a deambular pelas ruas da cidade. Comeexplorar os bairros de Psyrri e Plaka. Assim que nos embrenhámos no centro de Atenas, encontrámos um bairro muito castiço, com imensas esplanadas e pequenos restaurantes e bares cheios de pinta e onde decidimos almoçar. Começámos da melhor maneira com uma moussaka vegetariana e  um frango assado no forno com batata frita. Sei que isto pode parecer estranho a algumas pessoas, mas para quem está num país onde os sabores mediterrâneos não fazem parte da dieta quotidiana, acreditem que às vezes até de um ovo estrelado temos saudades!!!
A primeira moussaka e queijo feta em território helénico - sketchbook doTiago
Mais tarde viemos a saber que acertámos em cheio com o sítio que escolhemos para almoçar. Do bairro de Psyrri seguimos para Monastiraki. A Plateia Monastirakiou localiza-se na parte baixa da cidade e é um ponto de encontro. Daqui pode seguir-se para a Ágora Antiga, para a Ágora Romana, para a Acrópole e para um sem número de outros locais de interesse histórico e arqueológico. Na tarde do primeiro dia decidimos visitar a Acrópole e o Museu da Acrópole. Ladeámos a Biblioteca de Adriano e a Ágora Romana e começámos a subir a encosta da Acrópole por ruas íngremes e estreitas, todas elas repletas de comércio, com artigos característicos feitos de matérias-primas locais, de que se destacavam as peças de madeira de oliveira, as sandálias de pele e as pratas. Já no topo da encosta, as ruas estreitaram ainda mais e as casas passaram a ser caiadas, com becos que, em alguns casos, dão passagem a apenas uma pessoa. Mais tarde, uma amiga disse-nos que estávamos no bairro de Anafiotika. Um bairro que antigamente era habitado por pessoas oriundas das ilhas Cíclades e que tentaram recriaram, aqui, as casas típicas da sua terra-natal. Rodeámos a Acrópole até que chegámos à entrada. Adquirimos os ingressos e recomeçámos a subida, desta vez, já dentro do complexo arqueológico.
Atenas é conhecida como exemplo do expoente máximo de uma pólis e nela se encontram os maiores vestígios arqueológicos que nos permitem ter uma ideia de como se organizava. Se por toda a cidade as ruínas são abundantes, dentro do complexo, mais ainda.
A primeira paragem foi no Teatro de Dionísio. Aqui realizava-se o festival anual das Grandes Dionisíacas, introduzido por Pisistrato, no século VI, onde vários poetas competiam com peças dramáticas.
Teatro de Dionísio
Daqui seguimos para a entrada da Acrópole. Estamos em Abril, a temperatura é amena, mas imaginamos como deve ser duro subir em pleno Verão. O complexo impõe-se pela sua dimensão e significado. Confesso que estava à espera de edifícios mais pequenos, com dimensões mais "humanas", sendo que, juntamente com a "beleza", estas eram as referências para a época clássica. Se por um lado é impressionante ver estes vestígios, por outro lado, devo confessar que não é esmagador. Pelo menos para mim, não foi. O que não significa que se deva passar ao lado, porque é sem dúvida, de visita obrigatória. Talvez porque haja, visível, muita intervenção por parte das equipas de conservação. É lógico que para uma estrutura com esta longevidade, com estes materiais e características teria de ser desta forma. Impressionam as colunas dóricas e jónicas com caneluras, os vestígios dos frisos e dos frontões, as métopas e os tríglifos. Tal como os templos de Athena Niké e Poseidon, o Erecteion e o Parthenon. Claro que para se ter uma visão mais completa e equilibrada, teremos de visitar o Museu da Acrópole, no sopé da Acrópole. A visita de um sem o outro, faz com que a visita a Atenas saiba a pouco. O Museu da Acrópole é, sem dúvida alguma, impressionante e podem perder-se horas lá dentro. Aliás, o Tiago queria parar em todos os recantos e salas a "sketchar". 
Um café na esplanada do Museu e uma pausa depois, decidimos perder-nos nas ruas atenienses do bairro de Plaka.
Templo de Athena Niké
Parthenon

Parthenon
Cariátides
Parthenon
Deambulações pela Acrópole
Atenas a partir da colina do Areópago
Acrópole a partir da colina do Areópago

Frontão triangular e métopas do friso - Museu da Acrópole
Réplica do frontão triangular da Acrópole - sketchbook doTiago
Museu da Acrópole
Cariátides - Museu da Acrópole
Métopas do friso - Museu da Acrópole

Passámos pelo Arco de Adriano e ao lado do Templo de Zeus Olimpo. Já estava fechado e não tivemos oportunidade de visitar de perto. Mais um templo clássico imponente. Aqui uns taxistas tentaram dissuadir-nos do nosso passeio e tentaram levar-nos até a colina de Strefi, supostamente para ver um pôr-do-sol fantástico, mas nós teimámos em seguir caminho até ao estádio Panathinaiko.
Templo de Zeus Olimpo
Estádio Panathinaiko
Acrópole vista de Monastiraki
Com a luz do lusco-fusco, atravessámos os Jardins Nacionais e perdemo-nos pelas ruas de Plaka, um bairro giríssimo, cheio de lojinhas destinadas a turistas, de excelente bom-gosto. Acabámos a jantar kebaps e a beber uma cerveja grega no topo do restaurante Savvas.
Savvas kebap

Athens II

Encontrámos uma padaria/pastelaria normal!!! Calma, na Grécia há pastelarias óptimas em cada virar da esquina. Isto é só a minha alegria a extravasar. Quem conhece Oslo e as padarias/pastelarias norueguesas percebe o porquê da minha felicidade. Dá saudades de ver um escaparate com dezenas de bolos e pães de várias formas, cores e feitios.
Adiante. Passámos a tomar o pequeno-almoço numa das pastelarias da Attika Artopoieia. No último dia, até os funcionários nos conheciam. O pão, o café, os bolos... era tudo maravilhoso. E nesta época, tivemos ainda o bónus de vermos os doces típicos da Páscoa Ortodoxa. 
Pastelaria Attika Artopoieia

Pastelaria Attika Artopoieia

Pastelaria Attika Artopoieia

Pastelaria Attika Artopoieia
De Omonia seguimos para Syntagma. Pelo caminho comprámos o tradicional pão grego - koulouri. Chegámos ao Parlamento mesmo a tempo de assistir ao render da guarda, junto ao túmulo do soldado desconhecido. A cerimónia é conhecida e vale a pena ser vista se se estiver pelas imediações. Quer eu, quer o Tiago não fazemos muita questão de assistir a este tipo de cerimónias, mas já que queríamos ir a Syntagma porque não conciliar com a hora da rendição?!? Alguns minutos e fotos depois seguimos caminho para Monastiraki e Plaka (os dois bairros que adorei) pela conhecida rua Ermou, onde se podem encontrar as lojas das marcas mais populares na Europa.

Koulouri

Render da guarda

Igreja de Kapnikarea - Ermou

Pormenor no interior da Catedral - Plaka

Igreja bizantina de Agios Eleftherios - Plaka
Comer um souvlaki ou gyros na Grécia, é como comer um bitoque em Portugal. Da obrigatoriedade de provar um, a comer quase todos os dias, foi um passo. Este prato tradicional grego é uma imagem de marca e uma delícia. Existem muitas variantes, variando o nome de acordo com a forma em que a carne é cortada. Trata-se de um prato de carne grelhada que é servido dentro de pão pita e acompanhada por legumes, batata frita e molho de iogurte. Além de delicioso e de existir em todo o lado, é barato e super prático para quem, como nós, não gosta de perder muito tempo sentado num restaurante à hora de almoço. Os nossos favoritos comemos nas imediações da Plateia Monastirakiou.   Já que estávamos por ali, decidimos ir visitar a Biblioteca de Adriano, na zona da antiga Ágora Romana. Construção do II, foi uma doação do Imperador romano Adriano à cidade de Atenas. Era um edifício com um peristilo rectangular, do qual se conseguem ver ainda vários vestígios, nomeadamente as enormes colunas de estilo coríntio, características do Período Helenística tardio. Uma agradável surpresa foi encontrar cágados gigantes como habitantes do complexo arqueológico.

Souvlaki

Biblioteca de Adriano e, ao fundo, Museu Tradicional da Cerâmica Grega

Imagem de marca da Primavera em Atenas

Encontro com a bicharada - este cágado não era tímido

Biblioteca de Adriano
Daqui seguimos para a antiga Ágora ateniense, atravessando o "mercado das pulgas" de Monastiraki. Como eu adoro este tipo de mercados!!! Vontade de trazer tudo comigo a cada passo que dava. Entrámos dentro da Ágora e percorremos os principais pontos de interesse. Neste local encontravam-se os principais pontos de actividade política, comercial, social e administrativa. Embora seja extremamente aprazível passear por todo o complexo, pois a envolvência num espaço verde e a Primavera a despontar ajudam, os locais que mais gostei foram, sem sombra de dúvidas, o Templo de Hefesto e a Stoa de Átalo. O Templo de Hefesto é o mais bem conservado do período Clássico e, infelizmente, (a meu ver, claro),  bem menos conhecido que o Parthenon. A Stoa de Átalo destaca-se pela colecção de escultura que apresenta e por mostrar de forma bem clara um dos espaços públicos da antiga pólis.

Templo de Hefesto - Ágora - No interior pormenor dos trabalhos de Hércules

Templo de Hefesto - Ágora 

Ágora ateniense com a Acrópole como pano de fundo

Stoa de Átalo

Pormenor de um capitel jónico ainda com vestígios cromáticos
Ainda estávamos na Ágora quando a Athina nos ligou a perguntar onde andávamos e se dava para nos encontrarmos. Apressámos a saída para nos reencontrarmos com ela, pois a última vez que tínhamos estado juntas tinha sido em Setembro de 2011, em Budapeste, no casamento da Berni, uma outra amiga nossa. Conhecemos-nos no Verão de 2009, quando ela esteve a fazer um programa de voluntariado na APCC - Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra, onde eu trabalhava. Reencontrámos-nos à entrada do complexo e decidimos logo ir a uma esplanada comer qualquer coisa e pôr a conversa em dia. Mais uns souvlakis e muita conversa depois, dirigimo-nos para Keramikos, mas quando chegámos o complexo arqueológico já estava fechado. Assim, voltámos para o sopé da Acrópole. A Athina pensou levar-nos a passear pelo bairro branco de Anafiotika, mas como já tínhamos andado por ali no dia anterior, decidimos ir tomar um café num dos bares que havia nas imediações. Pelo caminho passámos pela igreja bizantina da Metamorfose. 

Reencontros felizes

Ágora Romana

"When we meet for a coffee we mean three hours, not ten minutes" - Anafiotika

Karagiozis - Fantoche típico dos contos gregos e turcos
Ao final da tarde decidimos ir ao hotel tomar um duche e combinámos reencontrar-nos depois do jantar, pois iríamos todos juntos assistir ao lançamento de uma curta-metragem de um amigo da Athina (Addicted), numa antiga zona industrial, convertida em bares e espaços culturais. Uma coisa ao género da LX-Factory, mas em versão grega.
Addicted

Athens III


Athens IV

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