Dia 1 - 29 Dezembro 2009
A viagem a Istambul foi programada em cima do acontecimento. Eu, a Vera, a Carolina e o Aveiro decidimos fazer uma passagem de ano diferente e, como tal, pedimos ajuda à nossa amiga Mónica que trabalha na Agência Abreu para nos encontrar uma escapadinha à maneira para o fim-de-ano.
E assim foi. Quando demos por ela, já era dia 29 de Dezembro e estávamos a embarcar em Lisboa, às 14:10, com destino a Istambul.
Chegámos de noite e à nossa espera estava um guia que nos levou levou num shouttle bus para o
Hotel Barin e nos deu as boas-vindas, estabelecendo o plano para os dias seguintes. Não nos aconselhou a andarmos sozinhos pelas ruas, pelo que sugeriu o restaurante do hotel para o jantar.
Como péssimos seguidores de regras que somos, decidimos aventurar-nos pelas vizinhanças e ver o que encontrávamos.
A nós juntou-se um casal muito simpático: a Ivone e o Augusto.
O nosso primeiro contacto com as iguarias turcas, deixou-nos rendidos. Ficámos logo fãs!!!
Depois do jantar, um pequeno passeio pelas imediações e o regresso ao hotel. O dia seguinte começava cedo.
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| Fatih Camii | Mesquita de Fatih |
Dia 2 - 30 Dezembro 2009
Depois do pequeno-almoço, lá estava o guia, à hora marcada, à nossa espera.
Não havia tempo a perder, pelo que foi sair do hotel e entrar dentro do autocarro. Sendo Istambul a única cidade do mundo que se estende por dois continentes, resulta numa mistura de culturas, de traços arquitectónicos, de cheiros, de cores, que nenhuma outra consegue rivalizar. Não bastasse isto, foi ainda intercepção do Cristianismo, do Judaísmo e do Islamismo, lugar de convivência de povos e de crenças durante séculos, tendo sido sucessivamente capital do Império Romano do Oriente, do Império Bizantino e do Império Otonamo. A cidade é um museu aberto, de uma enorme profusão de pontos de interesse. Por isso não admira que toda a área histórica de Istambul seja considerada Património Mundial da Humanidade da UNESCO e que o nosso autocarro tenha serpenteado as ruas da cidade, passando por mesquitas, ruínas romanas, palácios numa espécie de desprezo que noutras cidades não teriam, mas ali, dada a quantidade e diversidade da oferta, acabam por não ser admiradas como merecem, Tínhamos como destino, o Palácio de Dolmabahçe, na margem europeia do Bósforo. Construído no século XIX, a mando do sultão Abdulmecid I, foi o primeiro palácio de estilo europeu na cidade. Era usado para fins administrativos e hoje é um centro de atracções, muito em parte pelo ouro usado para decorar os seus tectos (14 toneladas). Não tivemos tempo de o visitar por dentro, quem sabe noutra oportunidade. Ao lado, a Torre do Relógio Dolmabahçe e a Mesquita de Dolmabahçe, muito pequenina, mas interessante do ponto de vista arquitectónico e da sua localização. Nas margens do Bósforo apreciámos o início de dia para as populações locais, a agitação de barcos que faziam a ligação entre a Europa e a Ásia, Duas faces, uma cidade!
De volta ao autocarro, passámos pelo estádio do Beziktas e fiquei a saber que Istambul tem 3 enormes clubes rivais (Beziktas, Galatazaray e Fenerbahçe), seguindo posteriormente rumo à Praça Taksim.
Esta praça é o símbolo da fase moderna da cidade e é aqui que se encontram as populações quando se organizam manifestações. No centro, o Monumento da Independência, dedicado a Mustafa Kemal Ataturk, o fundador da República turca. Daqui seguimos a pé pela Rua Istiklal, rua vibrante, com vendedores ambulantes, cheia de lojas para fazer compras e de agitação com muitos restaurantes e bares que oferecem muitas e variados programas nocturnos.
Cruzámo-nos com o eléctrico vermelho, característico desta rua, com grupos de polícias armados (provavelmente a fazer a patrulha pelas festividades do final do ano), com os estabelecimentos a abrir portas e a organizar as suas montras. Percorremos ainda as castiças passagens (Çiçek Pasaji, Avrupa Pasaji e Balik Pasaji). A Çiçek Pasaji, a Passagem das Flores, é uma galeria comercial, feita à semelhança da Galleria Vittorio Emanuele II, onde se encontram restaurantes, cafés e bares. A Avrupa Passaji, a Passagem da Europa, é uma galeria mais dedicada a joelharia e souvenirs, decorada com estátuas clássicas. Por fim, a Balik Pasaji, Passagem do Mercado de Peixe (de Galatasaray), onde se podem encontrar bancas de peixe fresco, carnes, queijo, fruta e vegetais.
Retomámos a Rua Istiklal e parámos no Café Özsüt, para provarmos o famoso café turco. A paragem seguinte foi a Basílica de Santo António, onde fomos levados pelo guia, talvez por sermos um grupo de portugueses.
O autocarro esperava-nos para fazer a travessia do Corno de Ouro (estuário que divide o lado europeu da cidade em dois) e nos deixar em frente ao Bazar das Especiarias ou Bazar Egípcio, contruído entre 1597 e 1664. Localizado atrás da Mesquita Nova - Yeni Valide Camii -, o Bazar é uma espécie de extensão desta. Aliás, consta que uma parte dos proventos arrecadados custeiam obras de caridade e projectos de beneficência. A entrada no bazar é uma lufada de cheiros e de cores inebriantes, tal é a quantidade e diversidade de produtos que ali se encontram, proporcionando uma atmosfera indescritível. Vão desde especiarias e chás a frutos secos, de jóias a bijuteria, de doces a lenços e tecidos, num misto de caótico organizado. Difícil é resistir ao regateio, às degustações gratuitas e conseguir sair de lá sem fazer compras. Impossível, arrisco a dizer!!!
A Mesquita Azul era o ex-libris que se seguia. Também conhecida como Mesquita Sultão Ahmed, esta é a maior mesquita de Istambul e única no mundo, segundo o nosso guia (não consegui confirmar esta informação), com 6 minaretes. Foi mandada construir pelo sultão Ahmed I, no início do século XVII, na margem do Mar da Mármara, em frente à igreja Hagia Sophia. No mesmo complexo é possível verem-se alguns túmulos, nomeadamente o do sultão AhmedI, madrassas, um hospital, um bazar, fontes, banhos e até uma cozinha. Entrámos pela entrada principal, no exterior vemos alguns crentes a lavar os pés e as mãos antes de se dirigirem para o interior do edifício. Esperamos numa fila para entrar onde somos convidados a tirar os sapatos e as senhoras a cobrir a cabeça. O interior é realmente magnífico, paredes e cúpulas repletas de azulejos azuis, que dão o nome à mesquita, um gigantesco candelabro central e o chão coberto com um tapete vermelho gigantesco. Não menos interessante é o pátio exterior que dá acesso ao edifício principal.
Estávamos em frente à mesquita quando assistimos ao muezzin - chamamento - através dos altifalantes dos minaretes das mesquitas e foi impossível ficar indiferente e não nos arrepiarmos. À mesma hora, cerca de 4 mil mesquitas, grandes, médias, pequenas, públicas e privadas, espalhadas por toda a cidade ecoam o mesmo chamamento. Algo indescritível, que só vendo e sentindo, pois as palavras não chegam.
Mesmo em frente à Mesquita Azul, onde agora é a Praça Sultanahmet, podemos ver algumas das ruínas do Hipódromo de Constantinopla, encomendado por Septimus Severus. Actualmente podemos ver no local dois obelisco (Obelisco de Teodósio e Obelisco de Walled) e a coluna de serpentes, dedicada a Apolo.
Dali seguimos para a Hagia Sophia ou Basílica de Santa Sofia, a famosa catedral bizantina (século IV-XV) que foi também convertida numa catedral católica romana (século XIII) e posteriomente numa mesquita (século XV-XX). No século XX foi secularizada e tornou-se num espaço museológico. Importante do ponto de vista arquitectónico, este edifício foi uma inspiração para muitas obras de estilo bizantino que lhe sucederam. Não só a sua imponência, mas também a sua cúpula, os seus mosaicos e os seus medalhões chamam a atenção até si.
Já era meio da tarde e nós sem almoçar, pelo que, saídos da Hagia Sophia seguimos direitinhos para um restaurante nas imediações. Quando de lá saímos, seguimos direitinhos para o labiríntico Grande Bazar. Devido à sua antiguidade e dimensão, não é estranho que esteja integrado na listagem de Património Mundial da Humanidade - UNESCO. Tudo aqui são números grandes.
Importante centro de compras desde 1461, espraia-se por uma área de cerca de 30.000 metros quadrados, acessível por um dos 18 portões do espaço. Lá dentro podemos encontrar, para além dos cerca de 5 mil espaços comerciais, espalhados por 60 ruas, mesquitas, fontes, termas, restaurantes, cafés, ateliês.
É um excelente local para ver o frenezi do dia-a-dia dos comerciantes de todo o tipo de produtos artesanais, tapetes, couro, especiarias, candeeiros, jóias de ouro e prata, livros, louças, antiguidades, roupas... Todos os dias é visitado por um público que pode variar entre os 250 a 400 mil visitantes.
É de tal forma grande que a dada altura o nosso grupinho de 6 se desorientou e nos perdemos uns dos outros. Valeu termos combinado logo no início encontrar-nos no hotel...
este bazar é em tudo semelhante ao das especiarias, mas numa escala muito maior. Se no primeira era difícil sair sem sacos nas mãos, no segundo era impossível. Enamorei-me por um candeeiro (que não trouxe e acho que me vou arrepender) e comprei uns brincos de prata, muito bem regateados. Segundo constou pelo vendedor, tive um desconto extra por ter adivinhados os intervenientes numa fotografia que ele ostentava orgulhosamente na sua loja: o Presidente da República Jorge Sampaio e a sua esposa Maria José Ritta.
O dia terminou no restaurante Otantik e com um passeio nocturno pelas ruas da cidade.
Pequeno-almoço tomado e era hora de ir conhecer mais um bocadinho da cidade. Começámos com um passeio no Estreito do Bósforo, onde se vêem lindíssimos palácios, edifícios e mansões em ambas as margens (europeia e asiática), a ponte pênsil - Boğaziçi Köprüsü - que faz a ligação entre os dois continentes e o Forte de Rumelihisar, construído na zona mais estreita do Bósforo, que serviu em tempos para proteger a cidade de ataques navais, juntamente com a fortificação otomana que já existia na outra margem.
Atravessámos a Ponte Gálata onde dezenas de pessoas pescavam à linha e o autocarro deixou-nos no Palácio Topkapi. Centro do poder otonamo, foi mandado construir por Ahmed II, no século XV. Foi residência de sultões, respectiva família e harém e apenas no século XIX o poder administrativo foi transferido para o Palácio Dolmabahçe. Nos tempos áureos, vivam neste espaço entre 4000 a 5000 pessoas, entre família real, empregados civis e militares, dirigentes e concubinas. Inscrito na lista de Património Mundial da Humanidade - UNESCO - desde 1985, o espaço é actualmente um museu onde se pode apreciar a arquitectura dos diferentes edifícios e de objectos históricos e valiosos do período otomano.
De uma forma simplista, o complexo estava organizado em duas partes: o espaço dedicado ao harém e o espaço dedicado à vida administrativa. Entrámos no complexo pelo Portão Imperial (Bab-ı Hümayun), que dá acesso a um primeiro pátio que tem uma vista fantástica sobre o Bósforo. Neste enorme jardim localiza-se a Igreja de Santa Irene, contemporânea da Igreja de Santa Sofia. Daí acedemos a um segundo pátio pelo Portão da Saudação (Babüsselam) onde saltam à vista as famosas cozinhas do palácio, com as suas chaminés a imitarem os acampamentos nómadas otomanos. Ainda neste pátio, o Museu das Armaduras e das Armas, a lindíssima sala do Conselho Imperial e a Torre da Justiça, bem como uma das entradas para o Harém. Pelo Portão Babüssaade acedemos ao terceiro pátio onde se localizam vários pavilhões que anteriormente tiveram variadas funções, nomeadamente dormitórios, Sala do Tesouro, aposentos do sultão, Sala das Relíquias e Biblioteca. O Harém também tinha um acesso a partir deste pátio. No pátio seguinte, mais uma série de salas e pavilhões, das quais se destaca a Sala da Circuncisão e o Terraço de Mármore.
O Palácio de Topkapi, estrategicamente bem localizado, privilegia de uma impressionante vista sobre o Bósforo e o Corno de Ouro e possibilitava a rápida ligação quer com o outro lado da cidade europeia, dividida pelo Corno de Ouro, quer com a margem asiática.
O espaço é enorme e facilmente se dedica um dia na sua visita. Nós dedicámos-lhe cerca de meio-dia e ficámos com a sensação de que se mais tempo tivessemos mais teríamos aproveitado. O nosso guia fazia uma breve introdução a cada espaço em que entrávamos e depois deixáva-nos andar por nossa conta. Ao início da tarde, conduziu-nos para o restaurante onde almoçámos a deliciosa gastronomia local. Experimentámos de tudo um pouco e deliciámo-nos com as baklavas e os lokuns (manjares turcos).
Depois do almoço o destino era o Grande Bazar, mas como já o tínhamos visitado no dia anterior e eu tinha lido umas informações super interessantes sobre a Cisterna da Basílica, pedi informações ao guia e pedi-lhe que nos deixasse lá, que depois, por nossa conta, iríamos para o Grande Bazar. Assim foi e ainda bem que o fizemos, porque vale mesmo a pena.
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